terça-feira, 20 de abril de 2010

* THE BEATLES * ( 1 )



                                                                               by/necão*
"Eu não acho que compositores de rock’n’roll devam se preocupar com arte. Não acho que uma coisa depende da outra...Até onde eu sei, ART ( a palavra em inglês) é diminutivo de Arthur”.

“Era uma vez 4 rapazes , George , John , Ringo e Paul que se reuniram para fazer um barulho !"

                                                        Disco number one ( 1 ) dos Beatles





- 22 DE MARÇO DE 1963 / Gravado em um dia, o disco de estréia dos Beatles traz o repertório que o grupo tocava neste período e insere canções originais (I Saw Her Standing There / Ask Me Why / e a faixa título / com regravações de músicas de astros americanos como / Baby It’s You e / Boy (ambas das “Shirelles)/ Anna / de Arthur Alexander e / Twist and Shout /(dos Isley Brothers) numa interpretação genial do “grande” John.

 

2ª disco / WITH THE BEATLES
- 22 de novembro de 1963 – Apesar de todo agito da agenda de shows os Beatles conseguiram mostrar uma “baita” revolução neste segundo disco. O trabalho traz canções originais, fortes e inovadoras como / It Won’t Be Long e / All My Loving.
As músicas muito bem escolhidos, incluem clássicos da Broadway / Till There Was You / de o Vendedor de Ilusões , Chuck Berry / Roll Over Beethoven /e canções da Gravadora Motown / Please Mr.Postman / Money / e You Really Got a Hold on Me .

                 3º disco / A HARD DAY’S NIGHT


- 10 de julho de 1964 – A trilha do primeiro filme dos Beatles foi toda escrita por John e Paul.
O disco tem canções fantásticas como / Cant’Buy Me Love / I Should Have Known Better / I'LL Follow the Sun e a faixa título.
O talento de Paul para canções lentas fica evidente em / And I Love Her. As canções que foram incluídas no lado B ‘ e não entraram no filme são uma aula de “digressões beatle” como /You Can’t Do That /Anytime at All / e Things We Said Today.

                                                           4º disco / BEATLES FOR SALE


- 4 DE DEZEMBRO DE 1964 – Os Beatles gravaram este disco às pressas para ser lançado no natal. Com pouco material inédito eles voltaram a fazer velhas canções como / Everybody’s Trying to My Baby/ Honey Don’t / (ambas de Carl Perkins)/Rock and Roll Music / e Words of Love / (do Buddy Holly) /Neste disco , John já começava a colocar seu lado solitário em / I’m Loser / e Baby’s in Black / e Paul escrevia uma de suas mais belas canções / I’ll Follow the Sun /
O sucesso foi / Eight Days Week, com aquela abertura subindo os acordes . A foto foi tirada no Central Park.


5º disco / HELP


- 6 DE AGOSTO DE 1965- O quinto disco inglês dos Beatles leva 14 músicas dos quais sete foram para a trilha do segundo filme do grupo. As letras de John eram profundas e pessoais como na faixa título e em /You’ve Got to Hide Your Love Away / quando o violão passeou pelos acordes (moto contínuo) com o famoso “G” do John. Na trilha também está / Ticket to Ride / sucesso total na época(não gostava muito dessa música).George contribui com You Like Me Too Much / e I Need You / duas músicas antológicas de George e Ringo cantou / Act Naturalli / de Buck Owens(country lendário ) Neste disco o mundo ouviu pela primeira vez / Yesterday , obra rara que mexeu com o mundo da música.

6º disco / RUBBER SOUL

- 3 de dezembro de 1965 – É o disco mais acústico dos Beatles, naturalmente influenciado pelo folk rock. John criou raridades como /Norwegian Wood / Nowhere Man / e In My Live / Paul veio com
/ Michelle / You Won’t See Me /e Drive My Car / George apareceu com uma de suas melhores canções/ If I Need Someone / com uma guitarra “a la Birds”, e Ringo cantou um rockbilly / What Goes On.

                                                               7º disco / REVOLVER


- 5 de AGOSTO DE 1966 – Um dos mais consistentes discos dos Beatles . Revolver colocou de baixo da terra, a imagem de “alegres cabeludos” que os Beatles tinham. Neste álbum falam do imposto de renda / Taxman (com aquele acorde inesquecível )/ falam de solidão /Eleonor Rigby / que foi cantada pelo Paul, e acompanhado por um octeto de cordas. Falam também de drogas em / Dr. Robert / e She Said, She Said / e também /Tomorrow Never Knows. Os arranjos são de tirar o fôlego, com orquestras, metais,instrumentos tocados ao contrário e truques eletrônicos. Talvez o disco mais ambicioso, lançou o psicodelismo, com colagens e referências as drogas. A música / Yellow Submarine uma canção para crianças com Ringo
nos vocais , fez tremendo sucesso. George Harrison lançou neste disco alguns aspectos da cultura hindu com a faixa / Love you to. Revolver liderou as paradas do mundo todo. Este disco lançou a idéia definitiva de instigar a imaginação. John disse:” Eis uma coisa maluca..., as coisas nunca mais serão as mesmas.”

8º disco / SGT PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND


- 1º de junho de 1967 – Mais do que um simples disco, Sgt. PEPPERS é um ícone cultural, o retrato de uma época. Ele traz recordações de uma era em que o rock e a música pop ditavam regras sobre tudo o que acontecia no mundo./ Lucy in the Sky with Diamonds / Getting Better / Day in the Life/ With A Little Help form my Friends / Lovely Rita/ são algumas das músicas.
Até hoje é considerado o disco mais importante de toda história da música pop. Este disco se transformou no desejo ardente dos hippies , da contra cultura e dos psicodélicos... a emoção atravéz deste disco desenvolveu em todos a busca por novos prazeres com a faceta de viciar , um novo estilo de vida contínua e crescente. John disse: “ A superfície da nossa pele e o fim da estrada não são os limites de nosso território pessoal”. Paul , também disse:“É preciso conservar a qualquer custo a ilusão . George digrediu também :
! Deus atrai somente os que estão dispostos “. Ringo completou : A linguagem é um instrumento humano e, portanto imperfeito. Onde a linguagem pára a música assume !. Os fãns no mundo inteiro responderam yéah ! yéah ! yéah !
Sgt. Peppers não só se destacou pela música , mas pelo conceito e pela capa, onde vários rostos de pessoas célebres estão na fotografia de Michael Cooper, foi também o primeiro disco que se vendeu com as letras das canções impressas. Relação de alguns nomes que estão na capa do SGT.

 
Aldous Huxlei / Bob Dylan / Diana Dors / Dylan Thomas / Edgar Alan Poe /Fred Astaire / George Bernard Shaw / George Harrison / H.G.Wells / John Lennon / Johnny Weissmüller / Karl Max / Lewis Carrol / Mae West / Marylin Monroe / Marlene Dietrich / Marlon Brando / Oliver Hardy / Oscar Wilde / Paul
McCartney / Ringo Starr / Shirley Temple / Sonny Liston / Sta Laurel / Stuart Sutcliffe / Laurence of Arábia / Tony Curtis / Tyrone Power / Willian S. Burroughs / W. C. Fields…, entre outros.


• 9º disco / MAGICAL MYSTERY TOUR


- 27 de novembro de 1967 – Neste album de cinema / psicodélico estão seis músicas que foram incluídas no filme para a televisão que os Beatles exibiram no fim de 67, além das faixas dos compactos que eles lançaram nesse mesmo ano. A excelência de canções como / I Am the Walrus / Fool On the Hill / Blue Jay Way /Your Mother Should Know / só confirmaram que os Beatles estavam no topo de sua genialidade.


 

 
- 10 disco / THE BEATLES
 - 22 de novembro de 1968 – O White Álbum foi chamado de verdadeira enciclopédia do pop , porque nele os Beatles retratavam fielmente tudo o que rolava na música dos anos 60, como country, folk, blues, hard rock e atémúsica de vanguarda/ Back in the URSS (Surf Music)/ Obla-di-Obla-dá (reggae do Paul) / /Honey Pie / Martha My Dear(música “a los anos 20”) / Black Bird / I Will (baladas antológicas) / Helter Skelter (heavy metal)/ Yer Blues (John tirou um sarro do “blues inglês / Júlia (homenagem de John a sua mãe) / Glass Union ( John satirizou aqueles que viviam achando mensagens secretas nas músicas dos Beatles) / Revolution 9 ( John e Yoko contribuíram com esta ) / While My Guitar Gently Weep (George entrou com esta canção genial) / Don’t Pass Me By , cantou Ringo / Este disco liderou facilmente as paradas do mundo em dezembro de 1968.


                                                 - 11º disco - YELLOW SUBMARINE


- 13 de janeiro de 1969 – A trilha do desenho animado tem apenas quatro músicas inéditas / All Together Now / Hey Bulldog / Only a Northern Song / e It’s All Too Much ( estas últimas do George ) /Yellow Submarine / e All you Need is Love / aparecem em suas versõs normais , que já tinham sido lançadas antes comercialmente. O resto é completado por temas orquestrais de George Martin como/ Pepperland / e March of the Meannies / .

-                  12º disco – ABBEY ROAD



- 26 DE SETEMBRO DE 1969 – Os integrantes dos Beatles dão algumas dicas do que iria acontecer em seus trabalhos-solo. George finalmente saiu da sombra de John com as antológicas / Something/ e Here Comes the Sun / Ringo escreveu a divertida/ Octupus’s Garden / as outras Come Together /
Because / foram as principais contribuições de John. A mini sinfonia que ocupava o lado dois do vinil foi escrita boa parte por Paul. Abbey Road levou os 4 ao topo , como músicos e compositores e trouxe obras primas como / Como Together ( de John) / Oh! Darlin (de Paul) / e Something (George) / este disco levou os 4 rapazes de Liverpool ao primeiro lugar na parada dos Estados Unidos . O trabalho serviu como um epitáfio, encerrando com a música / The End / que tinha a seguinte letra: “ E no fim o amor que você recebe é igual ao amor que você faz !



                                                          - 13º disco – LET IT BE


 -11 de abril de 1970 – O último disco lançado pelos Beatles divide opiniões.
A produção de Phil Spector é criticada por alguns, mas sem dúvida realçou canções como / The Long and Winding Road / e principalmente / Across the Universe / Além da faixa título e de / Get Back / este disco tem boas músicas como / One After 909 / e / Two of us / A versão Let IT Be tem uma mixagem diferente da que aparece no compacto. Foi John que acabou com os Beatles . Ele se reuniu com Paul e disse : “ Não sou mais Beatle, estou fora. Quero o divórcio, igual ao que tive com Cynthia “. Um acordo foi fechado entre 0s 4 , e acabou a maior banda da história



                            *TRIBUTO AOS BEATLES
“ HÁ QUANTO TEMPO EU NÃO OUÇO / O SOLINHO DO GEORGE /
HÁ QUANTO TEMPO EU NÃO OUÇO / O FALSETE DO JOHN /
HÁ QUANTO TEMPO EU NÃO OUÇO / O CONTRABAIXO DO PAUL /
HÁ QUANTO TEMPO EU NÃO OUÇO A BATERIA DO RINGO /
HÁ QUANTO TEMPO NÃO OUÇO O VOCAL DOS BEATLES /
YÉH ! YÉH ! YÉH ! YÉH ! YÉH !!!
REVOLVER , MISTER MOONLIGHT /
DON’T BOTHER ME , HEI DAYS WEECK /
SGT. PAPERS , YESTERDAY /
GOOD-DAY SUNSHINE , A DAY IN THE LIFE !
NAS ESQUINAS DO MUNDO / ÊLES SE ENCONTRARÃO /
E NOVAMENTE :” GEORGEJOHNRINGOPAUL”




P.S. esta música foi a primeira gravada pelo Hallai hallai nos estúdios da “Continental para” Mr. Lee in Concert” (1975/ Porto Alegre)Esta canção foi definida na viagem Porto Alegre / Rio no ano de 1974..., quando eu e o mano estávamos entre São Paulo e Rio de Janeiro surgiu o último verso "Nas esquinas do mundo ...", estávamos dentro do "bus" Itapemirin tocando violão e todo pessoal num "bolor " nos últimos bancos faziam a platéia numa estonteante vibração...! kláp...kláp...kláp... " O sonho pra nós, estava apenas começando !


segunda-feira, 22 de março de 2010

SIDÃO MY BROTHER ! by Necão

O Sidão sempre me falou do “Coven Garden”, lugar em Londres, onde os músicos tocam ao ar livre, para as pessoas que passam por ali, em busca de arte, encontros, curiosidades, altas paparias ou simplesmente matar o tempo a espera de alguma coisa nova.


- “ O Hallai Hallai tem que vir pra cá, para tocar nestas calçadas(disse ele), onde vários artistas começaram suas carreiras. Lugar onde mora o sonho, onde começa a realidade, onde seus espaços foram enobrecidos pela arte”. Lá se vão horas de vôo daqueles tempos do” Hallai” autêntico, de violas e de vocais; (Good- Good Night, cinzenta América ) (-)...mas o “reboco” sempre continua úmido quando a gente se encontra e fala do “Hallai” ,sempre a espera de um novo lance para escrever nestas paredes “a fresco” de nossos sonhos .


Este é o Sidão, que nunca esquece o “velho vocal” e tem muitas restrições a teclados com som “murrinha” e baterista que não toca nada , e só atrapalha a pureza do som das violas. Contrabaixista de mão cheia e violeiro dos bons, começou esta história comigo, lá no calorão do Rio, mas com aquelas tardes de “Copacabana”, depois da batalha do dia, com aquele ar internacional do vento do mundo, daquele mar gelado, mas azul !



“Sidão, lembra quando nós chegamos no Rio(1973), era dia de São Cosme e Damião, ficamos parados na Central do Brasil, quando chegou uma senhora e disse: Cuidado meus filhos, hoje é dia de São Cosme e Damião, e tem muito assalto na cidade. É muito perigoso este dia ! Saímos dali e entramos no primeiro Hotelzinho (pouco preço) e pernoitamos com aquelas duas malas “ pesando ferro”... Depois , quando nos instalamos em Copacabana, surgiu aquele som, que a gente toca até hoje...


Central do Brasil (1973)


Cheguei no Rio de janeiro/
Com as estrelas de setembro/
Em plena madrugada senti o forte verão/


Um jejum de amigos/
Eu senti quando falei/
O belo , o feio e o neutro/
Era incolor no meu olhar/


Com a mala pesando ferro/
Fiquei parado na Central do Brasil /


A tarde morna silencia/
A alegria da manhã/
O grito agudo das latas /
Freia o meu andar/


Despedaçando a madrugada/
Os watts do Redentor
O dia chegando lento/
Sem o astro central/


Com a mala pesando ferro/
Fiquei parado na Central do Brasil /


(aí entra aquele final maravilha/com altos violões no “pau”)
Ainda bem...Ainda bem ...
Copacabana não me enganou...
Copacabana não me enganou...


p.s. isto tudo ficou gravado nos estúdios da “Polydoro”,bem ali na Av. Rio Branco/ Centro do Rio.



O Sidão sempre tentou mostrar “ a mosca como sair da garrafa”, isto desde pequeno; Nós morávamos numa casa de madeira dupla, onde tinha na parede uma foto dos “Beatles”, bem pequena . Eu me acordava olhava para o lado, e a cama dele já estava vazia, lá sei eu, onde tinha ido meu irmão.
Sempre foi assim , como um programa de computador que determina o que aparece na tela, sem que ele mesmo surja dali.




No meu mosaico mental , que foi feito através do tempo , eu defino meu irmão dentro do pensamento de Walt Whitman que disse que sempre havia uma multidão dentro dele.



É isso, o Sidão sempre com a cabeça na pista, esquecendo a noção de localização, verdadeiro “on the Road”, mas conectado com as coisas da família, mesmo estando dentro do metrô de Londres.
Quando observei a vida na família , no que ela tem de variado e complexo,
a minha alternativa foi acreditar na magia ; encontrei nesta busca dois tipos de texto,o literário e o genético. O mano, conseguiu unir estes dois
textos com uma seleção natural num escrito químico invisível , ele conseguiu fazer a ligação com o pato e a laranja para que todos pudessem comer os dois... , ou seja nunca disse não a família, mesmo diante de tantos raciocínios e dialetos criados pela própria família.


O Hallai sempre entrou nessa história, como antena confiável, sem nunca perder a transmissão. Uma rede familiar se forma através do tempo...,há tempo de plantar ...,há tempo de regar...,há tempo de colher...o posicionamento de muitas pessoas, dentro da família muitas vezes levou a um” nó “dentro do convívio familiar, mas o velho mano sempre olhou para o lado bom da vida e a gente sempre conseguiu ”segurar o vento”.



De lambreta, com uma capa amarela para se cobrir da chuva, daqueles anos “60” , em meio de todas aquelas baladas que estavam criando o caminho, “the long and winding road”, onde, ele, começou a alargar o coração, transcendendo a si próprio, onde adquiriu a liberdade para seguir os caminhos do mundo..., lá se foi o Sidão pelas “luzes de Paris”,Piaf púlpito de Notre Dame, Arco do Triunfo, Louvre, Madeleine,pelos Phateon da vida ao encontro de Londres ,do Trafalgar, do Tamisa,
Hide Park, Picadilly, antes sempre passando pela feirinha de sábado de “Nothing Hill”,e do Coven Garden, o lugar onde o “Hallai”,deveria ter chegado naqueles anos setenta para cantar “Tributo aos Beatles”, uma das primeiras canções que rolou no Mr. Lee.


Existe dentro de uma constelação familiar, uma espécie de armazém relativamente passivo, e também o “guardião”, um elemento semelhante ao“eu”, que permanece misterioso, este é o “Grande SIDÃO”...my brother !
Necão * Sidão * Rio(1973)

                                                                                 



terça-feira, 2 de março de 2010

Necão by Jorge Vargas*



Mr. Robson*  Necão Cast* Jorge Vargas * Paulinho
                                                                                        
             DEPOIMENTO*JORGE VARGAS                                 

Acredito que o dia mais definitivo para a minha caminhada pela highway do sonho foi quando recebi uma ligação do Robson Azambuja me convidando para ser o baixista do HALLAI HALLAI.

Marcamos um ensaio em Canoas, na casa da Dona Mirtes e lá eu tive o primeiro contato com meus ídolos (eu conhecia o som do HALLAI HALLAI ouvindo pela Rádio Continental, com o MR. LEE) ao vivo, ali.... Necão Castilhos, Paulinho Zam e o próprio Robson.

 que realmente favoreceu minha integração foi o fato de conhecer as músicas do HALLAI HALLAI, pois eu já as tocava .... e entrar na estrutura daquele vocal fantástico me fez sentir um privilegiado..
.thank you Lord!!!

Passamos horas, dias, meses ensaiando, criando, arranjando e preparando uma volta que foi mais do que oportuna...era o momento de um HALLAI HALLAI solo...

E nasce SEGURANDO O VENTO... uma música do Necão que representava o amadurecimento, a identidade, a assinatura do HALLAI HALLAI (violas, vocais, cultura, bom gosto).

Os anos que ficamos juntos o que mais amadureceu em mim(alem do instrumentista) foi a admiração pelo amigo, homem,compositor Necão Castilhos.
Noites e noites ficamos pelas esquinas de Porto Alegre(acreditem: isto já foi possível!!) conversando, compondo,rindo e imaginando o que o destino nos reservava.


Iríamos a São Paulo buscar uma gravadora, morar por lá, ter 

nosso estúdio, e vivermos intensamente o que queríamos viver 

...a arte!

E este Necão me deu ideias, trocamos ensinamentos e naquele

 momento minha veia da composição começou a se 

manifestar...porque a mao do meu amigo me mostrava os 

caminhos....muito bacana e sempre terei estas sensações presentes no meu 

cérebro.... que Deus me dê saúde e lucidez para isto!

                                                    
Já tocando na CAVALO DOIDO eu compus uma música que representa toda esta admiração, respeito e reverência ao meu grande amigo Necão Castilhos.


MÁGICO HALLAI (cd Caminhos da Alma/CAVALO DOIDO) eternizou o meu sentimento em relação a tudo que falei e que falta ser falado.


"NASCIDO COM UM SINAL NO PEITO
IMPOSSÍVEL DE SE VER
ERA A MARCA DO DESTINO
ALGO PARA ACONTECER
OS TEMPOS NÃO AJUDARAM
A CABECA ENTORPECEU
LIDOU COM TANTOS ESTRANHOS
COISAS ENSINOU,
COISAS ELE APRENDEU
DIVIDIU TODOS OS SEUS SONHOS
COM PESSOAS TÃO DISTANTES
ESCREVEU TANTOS POEMAS E VERDADES
ESQUECEU A SUA PRÓPRIA VAIDADE
PARA VIVER TÃO LONGE
DAQUELES QUE SE ACHAM TÃO NORMAIS
PARA BEBER DA FONTE
TRANSFORMANDO TODA HORA NUM MÁGICO
HALLAI!
TRAZIDOS PELOS BRAÇOS DE UM ANJO  EM TEMPOS DE POUCA PAX
                                        
           RISCOU NO NO MURO: ESPERANÇA
       QUEM SABE UM MUNDO MELHOR
              ANDARILHO SOLITÁRIO NADA PEDIU
                     SÓ AVISOU QUE É BOM SER POETA E SEMPRE 
PODER VOLTAR.


    VIDA LONGA AO HALLAI*HALLAI !
   

Beijo nos corações dos meus amigos

 Robson, Paulinho Zam(Velho Xerife) e Necão Castilhos (Cacique Chaleira Preta!!!).

Jorge Coxilhas  Vargas *

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MR. LEE*




                                                                                                      by* Marco Silveira



Prezado Mr.Lee
P/Marco-Se pudesses voltar no tempo o que farias de diferente no Vivendo a Vida de Lee?

P/Marco-O que representou esse movimento na tua vida?

R/Mr.Lee: Alô Marco.

No tunel do tempo, faria tudo exatamente igual.
O Vivendo a Vida de Lee representou para mim na época, a realização do"Woodstock" local.

No finalzinho do ano passado, por ocasião da comemoração dos 40 anos do Festival Woodstock, o pessoal do núcleo de produção da PUC fez uma analogia com o concerto do Araújo Viana em Porto Alegre (5.000 pessoas) dia 09 de Novembro de 1975, em pleno regime da Ditadura e limitações da Censura.

O Concerto do Araújo Viana reuniu 18 bandas, aconteceu num Domingo iniciando às 05 da tarde e encerrando às 02:30 da madrugada de segunda-feira com a Banda Mantra no palco e um Comêta rasgando o céu de Porto Alegre.

Vivemos o nosso "Woodstock". Senão vejamos: a galera de cabelos longos, velhos jeans, estilo hippie, expressão da liberdade, chegando oito horas antes da abertura dos portões. No palco, Rock,Folk,Som Rural,Musica Pop Gaucha...

Hallai Hallai aqui.Crosby,Stills,Nash and Young lá. Grande Necão ! O Neil Young do Vivendo a Vida de Lee, acompanhado das violas e vocais de Paulinho Zan, Robson Azambuja e Jorge Coxilhas.

Uma de cocheira: em breve estarei liberando na internet, imagens filmadas em 35mm (preto e branco) no Concerto do Araújo Viana (05/11/1975)

Viva o Som !
Viva a Vida Daqui !
Grande abraço Necão !
Sou fã do Hallai Hallai até hoje !
Julio Furst

                                                       Mr. Lee* em rodagem máxima!

domingo, 29 de novembro de 2009

Depoimento ( 7 )*



HALLAI HALLAI VISIONS







Mr.Lee ,o pioneiro , cowboy implacável, símbolo da música local ; contra tudo e contra todos; cuja atuação estava mais ligado a marcha da civilização dos músicos gaúchos pela conquista de um espaço coast to coast .
Na bagagem mais de 4.589 búfalos mortos por dia, nas ruas e nas ondas de Porto Alegre City , para mostrar que “santo de casa também, faz milagres “.

Este era o clima feérico e cinematográfico da época , tal era a energia, que rolava
no “ Mister Lee In Concert”, nos dias que antecederam a viagem a Curitiba.



HALLAI*HALLAI*
Mr. Robson*Paulinho Velho Xerife & Necão Cast.*
“ A linha esta traçada /
O destino marcado /
Os ventos de agora /
Voarão amanhã /
Como o presente agora /
Será depois passado /

A ordem esta
A desaparecer rapidamente /
E os primeiros de agora /
Serão mais tarde os últimos /
Porque os tempos estão a mudar
Bob Dylan / 1964
(The times they are a –changin’)

P / Nanda – Como foram os dias antes desta viagem histórica, eu acho que esta experiência foi a única com estes paradigmas todos..som local, Rádio Continental,
músicos de Porto Alegre, e também um momento difícil pois o caldeirão cultural de
nossa cidade sempre foi muito estranho aos ouvidos de outros estados ?

R / Necão – O Júlio preparou tudo, mandava toda semana para Curitiba fita gravada do programa Mr. Lee, e a Rádio Iguaçu colocava no ar toda aquela energia musical aki de Porto Alegre...não sei realmente como isso se deu, mas tudo que se plantava se colhia , e não tinha manipulação nos acontecimentos.
Era uma coisa muito forte, muita garra e inventividade.

P / Lucas – Então, aquele lance “coast to coast “, não era uma invenção , aquilo realmente estava na cabeça do Mr. Lee ?

R / Necão – Sim , a formação dessa idéia não veio assim de uma piração, tudo estava se encaminhando para um crescimento profissional do próprio movimento.
A tendência era esta, todos na época estavam vivendo uma espécie de desnacionalização completa (75/ 76), a ressaca de todo aquele nacionalismo dos militares ...; então a nossa” válvula de escape” era o sonho, e através da música
pensávamos em expandir esta matéria prima que estava sendo feita nos estúdios da Continental...o imaginário coletivo do “Vivendo A Vida” levava a todos estes pensamentos de expansão a novos horizontes.

P / Fanni - O pensamento do “Vivendo” se acreditava musical e não político ,
então , eu acho que o Vivendo a Vida de Lee , tinha todas as condições de
cair na estrada e realizar o “Coast of Coast”, a época era propícia e estava tudo
começando a se encaminhar com a viagem a Curitiba .

P / Marco – “ Pego a mala depressa, uma promessa não vou quebrar, vou para CURITIBA, ouvir as flautas de muito além. ? ( palmas ...palmas) klap...klap...klap...

R / Necão – Antes da viagem eu estava passando por um período de muita Turbulência , dentro do Grupo as coisas não estavam bem, muitas confusões,muito cansaço de tudo,muitas animosidades, o Hallai ,além da parte musical,tinha um consultório “freudiano”, o Paulinho foi um que,exorcisou todos os demônios dentro do grupo, o Robson não aceitava muitas atitudes do Paulinho,o Sergio, também reclamava muito ...estava naquela fase ...ser ou não ser....não sei se caso ou compro uma escada?...problemas e mais problemas....este acorde não é com sétima...o baixo tem que conduzir ....tem que ter balanço....aniversários de 15 anos, eu tenho que ir....vestibular ? De novo! O Robson fez todos os vestibulares possíveis no tempo do Hallai Hallai... O Paulinho ficava “puto”, pois quando acontecia isso, os ensaios iam” pras cucuias”..”.De novo, não é possível, assim não dá”...Necão que barbaridade...já pensou se fosse numa apresentação.
O Paulinho estes dias me disse assim:”Necão , eu só fiz “cagada” na minha vida”!
O “veio” tem consciência de tudo”,...mas pessoal, o Hallai tinha uma sala “Sigmund Freud”...o consciente e o inconsciente e, conforme o Sig, os impulsos e desejos , vem do nível inconsciente...e disso não seríamos nós do Hallai, que iríamos escapar... ..na arte da música, talvez com muito mais intensidade...pois revira todas as camadas do ego ...e ninguém aceita todo tempo viver esta catarse , sem colocar ma mesa o seu próprio “ego”...num grupo vocal tudo isto é muito mais intenso... por isso meu amigo, os grupos vocais são tão raros...!

P / Nanda – Necão , como é que tu vivia no meio destes impulsos , porque tudo
que se repete demais, leva a uma profunda hostilidade ?

R / Necão – As neuroses começaram aos poucos , no dia-dia...nos concertos da Lee, nos ensaios, e quando estava em plena eclosão , surgiu o Concerto em Curitiba , já estávamos em 1976... e tudo começou no ano de 1975...tudo foi num crescente...mas eu, acreditava no potencial do grupo, e naquele momento era com eles o Hallai.

Caras, eu ficava entre cristais tentando não deixar cair os copos...sabia de todo potencial musical do pessoal e os compromissos com o “Vivendo” , estavam estourando nas datas...além disso tudo , eu trabalhava numa empresa que tinha um audacioso plano de marketing ,e contava com 8 relações públicas para tal tarefa , era uma Empresa que tinha sede no bairro Navegantes, e locou um escritório no centro da cidade para executar o plano...era mais ou menos assim:Nossa tarefa era entrar no meio de um monopólio que era dominado pelos representantes de confecções,mais os lojistas, mais os que transportavam as mercadorias...todos judeus , a empresa que eu representava era de origem italiana...e o plano deles era destronar toda esta confraria comercial...isto dá no mínimo um “longa” pra concorrer em Gramado...além do meu cargo , eu comecei também a fazer parte da equipe de marketing, que tinha reuniões desgastantes na formatação deste plano de derrubar este monopólio...bem isto dá uma novela pra Globo passar em horário nobre...um dia eu conto...tipo assim Raimond Chandler...muita intriga...espionagem...mentira , sexo e vídeo tape...
( risos...algazarra...risos conta ...conta...).

P / Lucas – Mas , Necão...tudo isso no meio desta viagem para Curitiba...?


P/ Fanni – Necão isto é fascinante , esta galeria de fatos rodeando o “Vivendo”?

R / Necão - O Júlio reuniu o pessoal e avisou : ” Vamos pra CURITIBA , que o
O Mr. Lee está estourado lá... preparem o melhor de cada um de vocês...que a coisa começou a ficar séria.”... eu e Paulinho saimos da Continental, olhamos a rua da Ladeira (General Câmara) e ficamos em silêncio pela segunda vez , coisa rara entre nós...”caminhando e cantando seguindo a canção “...esta era a história que estava se aproximando, através da música e pela música iríamos atravessar o Mampituba, finalmente !!!

E aí o que aconteceu ?

Marco, Nanda,Lucas e Fanni ..(todos juntos)... “foram pra pça Rui Barbosa comer
cachorro quente com duas lingüiças com trema “... (risos ...risos...muitos risos)
Ninguém é de ferro !

 
P / Marco – Este “cachorro”... ainda existe algum vestígio...?

R / Necão – Não digo este, mas as coisas se repetem, depois, alguns anos depois, não apareceu o “ cachorro do rosário”... aquela Porto Alegre romântica ainda existe, é só ter dois caras sonhadores como eu, e Paulinho que você descobre, caminhando pela cidade e entrando em lugares ao acaso...o acaso é Deus.

P/ Lucas – Todas estas incompatibilidades fazem parte das histórias das bandas,
voltando ao caso específico do Hallai...é uma repetição , claro , que com outras proporções...se a gente olha de longe...apenas vê uma época longínqua...com os personagens desta vasta galeria, até com vergonha de ter discutido por tão pouco assuntos não tão sérios como se pensava na época.

R / Necão - Vou citar , também casos aki na “ aldeia “ , João Antônio e Chandi,
Pesão e ZéFlávio , Fernando Ribeiro , Toneco & Ayres , e muitos outros que depois do “Vivendo” , não fizeram mais nada de interessante juntos...digo isso dentro da minha visão de observador e participante do “Vivendo”, as coisas terminaram , as parcerias, e o principal, a amizade acabou...eu senti isso.

P / Fanni – Isto até parece conversa de bar, por isso rola tudo que é assunto,
mas . voltando a fita... após o “cachorro”...?

R / Necão – Me lembro que subi a Dr. Flores, me segurando pelas “paredes”
estava em completa estafa , ...eu morava na Salgado Filho , avenida barulhenta...
o Corujão e o Corujinha , dois bares de alto teor de mulheres, ...agitavam a noite inteira, uma balburdia sem tamanho ... era difícil dormir ...eu levantava cedo para ir para a empresa trabalhar naquele plano mirabolante de “bolar “ um “contra veneno”, para entrar naquele monopólio que estava instalado nas confecções de Porto Alegre...começamos a ensaiar nos dias seguintes para preparar o repertório do Hallai para a grande aventura em Curitiba.

P / Lucas – Os ensaios rolaram sem problemas ,visto tudo que estava acontecendo ?

R / Necão – Aconteceu em mim, uma “metamorfose “,... descobri depois , indo ao médico, que estava com todas as minhas imunidades abaixo do desejado, muito inferior ao índice zero... estava com anemia profunda...os exames confirmaram.... repouso total...o médico , Dr. Pellin, recomendou....o Concerto em Curitiba estava pra acontecer, dali a poucos dias... comuniquei o fato a banda... mas que iria de qualquer jeito... o fato chegou aos ouvidos do Júlio...e quando não mais que de repente , adentrou no meu edifício, Mr. Lee, o cowboy de todos os momentos difíceis, ...o Júlio chegou e disse: “Necão , tu vai comigo , o Bayar e o Bender de avião, não te preocupa , vamos arrasar em Curitiba...... o velho cowboy , que eu e Paulinho , confessadamente tínhamos uma paixão platônica, cresceu 20 metros de altura em nossos corações...”Velho xerife, hei, hei , hei...Pelo grande vale um belo rastro ele deixou/ Cavalgando a noite as estrelas namorou.

P / Lucas – Agora eu entendo as diferenças entre Julio Furst e a Continental que
tu falaste no início do depoimento... O Júlio sempre esteve em parceria com os músicos , devido ao fato que ele, na essência é músico... e esta foi a maior prova
não só da dedicação do Hallai ao movimento, como a seriedade que o Julio dava
aos Concertos “Vivendo a Vida de Lee”. Por tudo isso, é que ficou na história.

P /Fanni – Os bastidores é que revelam o que depois, verdadeiramente vai aparecer no palco, mostrando como isso pode interferir diretamente no rendimento do artista, esta é a tão falada delicadeza que falta a quem lida hoje com a arte...vide o que aconteceu com a LIC no nosso Estado.

R / Necão – A partir de tudo isso, uma paz começou a reinar no Hallai, os ensaios
foram todos geniais , as violas e as vozes na mais perfeita harmonia e ficamos
todos mais unidos.... Curitiba, nos devolveu a harmonia tão perseguida.... comecei
a fazer o tratamento quando faltava uma semana para a viagem...o Dr. Pellin me receitou todos aqueles remédios para os glóbullos brancos , todas as tardes, eu ia na Borges (av.) , para fazer uma série de injeções de óleo na veia , super doída
e que me inspirou para aquele verso da música “Vento Minuano “....Descendo a Borges de Medeiros ú ú ú´...Eu sinto o coice que o cavalo não deu.../ esta musica na verdade foi se delineando com o passar do tempo , ela começou com uma letra e foi se definindo aos poucos , quimicamente ele se definiu com aquelas injeções na veia , na Drogaria Panitz na descida da Borges.

P / Nanda - Vocês prepararam algum lance especial ?

R / Necão – Aconteceu o seguinte : - Certa noite o Júlio nos chamou na Continental e combinamos que no dia seguinte ,ele iria nos esperar na casa dele para nos mostrar uns casacos , que tinham pertencido ao pai dele , ou avô , eu não tô muito lembrado... mas , aí vai a lenda...os casacos foram usados na guerra republicana dos Federalistas, ou no Vietnã... ou na Revolução Farroupilha...ou na Guerra da dos Confederados Americanos , ou na Batalha dos pioneiros do Arizona...era uma história assim...bem depois que o Júlio nos contou este lance,vestimos aqueles casacos que ” caiu como uma luva”, ...nos sentimos verdadeiros guerreiros do Hallai Hallai, e estávamos prontos para lutar no Colorado , no Novo México, ou em qualquer revolução que aparecesse por aqueles dias... se não me engano tinha também uma camisa amarelo ouro, que nós também levamos para o Robson vestir no dia do Concert em Curitiba . Como eu estava em plena metamorfose , afirmo que este fato aconteceu, os detalhes é que podem ser diferentes.

P / Lucas – E aí , a viagem... “Faço a mala depressa uma promessa não vou quebrar / Sigo pela avenida , aeroporto vou viajar... , seguindo o teu pensamento né , Necão...?

R / Necão – Sem dúvida... esta é a lenda marcada no lombo do cavalo Lee , acompanhado de ternura e chumbo grosso ...tipo ... “Desci o rio , subi as montanhas / Pisei com fé, em terras estranhas . ..(InconscienteColetivo)

P / Fanni – Mas o sino toca ,...(-) e a viagem Necão ?

R / Necão – Me lembro (dentro daquilo quem eu falei pra vocês) ...no Aeroporto
estavam o Júlio ...o Bayar... o Bender ...o Egon ...e se não me engano o Kleiton do Almôdegas... e eu naturalmente, já apresentando nas faces um pequeno vermelho
(Simple Red), com o tratamento “puro “ country na veia... A chegada em Curitiba ,
foi festiva..( fotos , chicletes . coca ...uma massaroca pra ´lá... e pra cá.../ nem a Deus uma prece / era o “Vivendo chegando lá)...o Júlio deu muitas entrevistas...o Bender falou também...eu dei uma fala sobre o Hallai... Á Rádio Iguaçu deu as boas vindas ,tinha também Televisão no meio...enfim... artistas chegando a nível profissional para mostrar o” Vivendo a Vida de Lee”, com patrocínio internacional.

P / Lucas - A viagem de ônibus deve ter sido uma festa ?

R / Necão – Só fiquei sabendo depois, foi uma comemoração toda viagem, mas muito cansativa, alguns chegaram sem voz de tanto cantar...mas recuperaram no hotel e tudo bem... o hotel alto nível 5 estrelas...dentro daquela bruma que me acompanhava , lembro que todos os artistas /músicos já estavam no hotel quando chegamos...todos ficaram em seus quartos afinando os instrumentos...passando as músicas ...se preparando para a grande noite do som de Lee... o som Cotempo já estava montado no “Palácio de Cristal” o Egon e o Geraldo junto com o Anele, já tinham todos os “dbs na mão, a iluminação do Oscar já estava sendo afinada...os efeitos do “missiê” Anele, estavam na ponta da agulha... e a coisa toda , estava anunciando “casa cheia”...o que de fato aconteceu....o ginásio quando chegamos estava no maior “agito”, gente pra tudo quanto é lado....cara de festa mesmo...um acontecimento na cidade..”.Living the life of Lee” .

P / Nanda - E a organização, os músicos, a infra disso tudo ,a logística ?

R / Necão – Digo o seguinte... perfeito...o “Vivendo” tinha uma disciplina de meter inveja a todos quantos se aventuraram a fazer algo semelhante... o Júlio estava no paraíso comandando pessoas de alto nível, com os mesmos objetivos que ele ,ou seja, criar um ranking como balizador de tendências...fora do eixo Rio / São Paulo,sem aquela pasteurização toda ...usando por base , uma nova maneira,traçando e ampliando um novo mercado de música que até então era considerado nulo pelos gaúchos e pelo centro do país.

P / Marco - Este movimento poderia na época ,se conectar ,a qualquer coisa
de interesse direto, para o desenvolvimento de novas mídias , como por exemplo:
rodeios, cinema, propaganda e comércio.

R / Necão – É complicado pensar hoje assim , mas o Mr. Lee tinha na mão,um “Almanaque Capivarol” , com todo breviário pronto para concluir o “Coast to Coast, “e pensar depois num protocolo junto as gravadoras para gravar tudo aquilo e fazer história com o crescimento dos músicos, ou mesmo com a entrada de outros artistas de Porto Alegre ,mas enfim é difícil ter um um olho no peixe e outro no gato,ainda mais naqueles tempos em que todos pensavam apenas numa aventura?!?!

P / Lucas – Necão e a noite como foi ?

R / Necão - Maravilha, inesquecível para todos que estiveram lá, estado de graça para os músicos de Porto Alegre, a noite com a temperatura ideal , todos estavam
a fim de tocar e cantar como nunca;
Eu nunca tinha sentido tamanho astral ... quando o Júlio chamou ao palco o Hallai Hallai...foi a maior ovação que todos nós do grupo recebemos de um público estranho a todos nós...a força do programa do Júlio era incontestável...o Hallai rodava em Curitiba a mil..assim como outros grupos que o Júlio colocava ...foi incrível...não conseguimos nos ouvir na primeira música...e escolhemos para abrir o Concerto, os “ Falsos Deuses”, uma canção complicada de vocal e viola, ainda mais com um violão afinado em “D” , que dava toda a conexão para o vocal a quatro vozes...foi uma grande apresentação...que apagou todos os vestígios dos desacertos internos ,que nós todos estávamos passando...O “Cowboy “ foi festa pura,todos cantavam no ginásio...e assim todos

que se apresentaram mostraram valor musical e o” Vivendo”, cumpriu na estrada seu papel de mudar, por uns breves momentos, alguns comportamentos arrogantes de quem não acreditava no som feito em casa. No final do noite , altas comemorações...altas paparías...e , no dia seguinte levantamos voou para Porto Alegre...e aquela coisa no pensamento , vamos avançar para São Paulo.../

O Júlio me deixou na Salgado Filho, naquela paisagem arqueológica de Porto Alegre, que não era na Filadélfia ,senti aquele quadro urbano envelhecido, deixei aquele “american way of life” e entrei no conhecido “ urban way of life” de Porto Alegre, ....”Volto pra casa esquento café no fogão / tomo café brasileiro / e vejo futebol na televisão...! ( Hermes Aquino) .
Passei o domingo com o pensamento em tudo aquilo que tinha acontecido em Curitiba...o “Vivendo” já não era uma coisa neutra, era credível, não era mais experimental, todas aquelas ocorrências davam a sensação que outro processo estava atuando e que iriam mudar a vida de todos os músicos ...era de fato e de direito uma revolução que estava em vias de acontecer .
O primeiro passo já tinha acontecido...e aquele verniz civilizado já estava em nossas peles.

Chegou a segunda feira , voltei a rotina daquela empresa de homens espertos,
que moravam no Lindóia e tramavam planos para comerem um filé servido em carruagens ...! ? ! ?

A noite , na volta ...liguei na 1120 , e o velho cowboy entra a mil...começando tudo de novo...É aki xará, o som natural de Lee, que balançou Curitiba !
As 10:45 o Mr. Lee ,coloca uma música instrumental do Hallai , “Chuvas “ em rodagem máxima ...
                                                                  Continua...





p.s. estes foram os momentos que o Necão, conseguiu lembrar, com relação ao “Vivendo a Vida de Lee em Curitiba, visto tudo que relatou .

 
Isto aconteceu num final de semana do mês de outubro de 1976.
O material fotográfico e jornais da época se perderam no tempo.
Só restaram estas duas fotos do HALLAI HALLAI /CURITIBA-1976
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Marco Silveira (copyrightblogdonecão)