sexta-feira, 26 de agosto de 2011

* Banda Cavalo Doido no Hospício São Pedro (2)


                                                        A Banda  Cavalo Doido   
                                      teve audácia quando cruzou as
                                          "Fronteiras da Loucura".

- Jorge Hill Vargas, Flávio”Big Dog” Assis, Sergio Gomes , Hubert Monteiro & o guitarrista fantasma que desapareceu de Porto Alegre depois dessa única apresentação , foram os personagens que desafiaram todos os preconceitos de Porto Alegre, e irresistìvelmente , triunfaram sobre o poder augusto da capital imperialista .

-    Porto Alegre/ 2000    -
by/necão

O Partenon  juntamente com a Azenha sempre foram considerados bairros de 2ª linhagem.
Tive a oportunidade de morar bem ali  na boca da Bento, junto da garganta da Azenha .

Morava na Teixeira de Freitas, um pouquinho antes daquela rua onde o “buzão” Caldre Fião entrava a mil , indo não sei pra onde , talvez pra Birmânia , ou pra algum lugar desconhecido do planeta terra , levando “rappers, bi boys, hip hopers, sambistas de fundo de quintal, e algum ou outro trabalhador da construção civil”. Era a “Magical Mystery Tour de Porto Alegre, dentro de toda aquela prescrição social , para que todos se sentissem felizes.

Mas tinha gente famosa que cruzava todos os dias a “Bento” . O Monteiro Lobato, outro descriminado brasileiro; o Machado De Assis , que  a maioria considerava “chato”; o Barão do Amazonas, que não sei porque acabou no Partenon; o Euclydes da Cunha não poderia faltar, era o nosso escudeiro familiar; Luiz de Camões fazia inveja aos outro bairros, pois cruzava todos os dias nossa avenida principal ,cheio de palavras difíceis; e outro também como o Fagundes Varela que ninguém notava.

Não poderia ter cenário melhor para a Banda Cavalo Doido,  realizar esta aventura de tocar dentro de um Hospício. Tínhamos todos componentes de natureza espiritual, problemas de ordem sexual, naturezas de Deusas Sujas, Motéis , a Igreja Católica, O Bco. Bradesco, O Quartel do 18 RI , Carrefour, os pacientes do São Pedro, que  junto de todo sensorial  do bairro , faziam aumentar de tamanho a régua linear da vida .

A sexta feira amanheceu escura, os pássaros que normalmente cantavam as 6 da manhã, naquele dia acordaram mais tarde , e começaram a cantar exatamente as 9:30 , quando o sol começou a clarear o dia, dissipando toda cerração .

No café , olhei pra Negra e disse : - É hoje o dia do Hospício..., Hospício ????
É , a Cavalo Doido vai lá,  se apresentar hoje !

Sabe aquela assunto que eu sempre questionei , a coisa “Gótica” , que nunca chegou em Porto Alegre, pois hoje , penso que isso vai acontecer .
Pelo menos no  “ ar”  , e no astral , teremos o “Povo Godo”, as Catedrais  de Chartes , Reins e Paris. Os séculos XII E XVI,  Frankenstein (1816), Edgar Alan Poe, Drácula, o expressionismo,Metrópolis, Nosferatu, Picasso, Dali , aquelas bandas >Joy Division,
The Cure, The Cult, aqueles espíritos também de bandas de “Sampa” >Garotos Podres, Ratos de Porão , Cólera, Inocentes , e lógicamente o karma de todas as bandas alternativas de Porto Alegre de todas as épocas > Liverpool, Prosexo, Khaos, Mao-Mao, Byzarro,Utopia, Flor de Cactus, Lory Finokiaro, Chapéu de Cobra, e o espírito da Rádio Ipanema com a irresistível Kátia Suman.

Assim ..., veja bem ..., a arquitetura do São Pedro na noite , aqueles portões altos, a banda
periférica dentro daquelas  brumas, toda aquela energia descriminatória no ar , espíritos de pantalonas dos anos 60, toda uma constituição política do faz de conta....,só transformando tudo aquilo ou levando tudo para  o “Universo Gotticus” para montar o cenário e tirar aquele caldo cultural .

Digo assim...,  quem sabe um novo desenvolvimento cultural vai iniciar hoje ,  através da música , que vai desaguar depois na arquitetura, literatura, e finalmente quem sabe  as cabeças pensantes de Porto Alegre despertem deste período anestesiante ,e fiquem profundamente marcados por estas influências todas de nosso bairro.

 

Por incrível que possa parecer , > pensei na época,  > o Hospício São Pedro >  hoje,  vai ser o novo, e a cidade vai representar o medieval.
Saímos de casa 8:30 , e fomos de preto , eu e Negra , > para encontrar  toda a integridade daquele espírito selvagem.

Entramos pela Bento no São Pedro, um rapaz no portão principal, indicou-nos o caminho.
O páteo por qual passamos, estava com a grama toda cortada, os pararalepípedos pintados de branco , que adornavam os canteiros de flores do  >“amor perfeito”.

Aquela sensação temporária de desconforto ficou na “Bento”, não entrou . Muitas árvores
com a sombra da noite, ficaram altas, imensas, as luzes da cidade estavam indo para o litoral, não iriam participar daquela “coisa” isolada , mas que vinham de um galope audaz
de um “Cavalo Doido”.

Depois que cruzamos aquele páteo, bem ao fundo um prédio branco mostrava uma luz de porta aberta , e uma pessoa com os olhos esgazeados nos recebeu com um sorrizo de criança, e disse:-  Entrem é aqui , depois do corredor, ali ,  na nossa sala de  aula .

Antes de entrar na sala , naquele breve minuto , pensei naquelas bandas de Woodstoock .

Aquele espírito guerreiro, totalmente altenativo; "lance  que eu sempre gostei!" Country Joe and the Fish, Jefferson Airplane, Sly  & The Family Stone , Ten Years After , Canned
Heat , Melanie Mountain..., a Cavalo Doido sempre me representou isto, valores de um Easy Rider , de um rocker solitário , igual música do Foguete Luz .

Entramos na sala , a Banda já estava lá  , a aparelhagem pronta , bandeiras com o nome da Cavalo Doido, os músicos  todos com um alto astral , como se fossem se apresentar no maior palco do mundo.

Não senti  cinzas , pelo contrário,  tudo estava psicodélicamente colorido, nos sorrisos dos pacientes do São Pedro.

Batemos um “´papo”  com todos  da Banda, misturados  com todos aqueles olhos estranhos sobre nós , mas que continham uma ternura que eu nunca  tinha visto.

A sala,  com as velhas carteiras dos colégios da minha infância,  estavam todas ocupadas.
Eu, Iara Negra, e Dudu Vargas,  ficamos bem no meio dos internos do Hospital.

A Banda começou a “rasgar” com a música “Café Luby” todas as discriminações seculares a respeito  das almas famintas de afeto, da fome insaciável do ser,
das chamas do silêncio eterno daqueles pacientes.

Depois, o sempre presente “Vento Minuano “ , que naquela noite mostrou a todos,  a queima roupa , a vida real pulsante da velha senhora vida .


Jorge Hill, sabía  que estava dentro de um forno crematório de mentes, mas transmitia
a Banda  e a seus parceiros através de seu canto, a valorização daquele momento único,
e do trabalho social  vital , para equilibrar os próprios cascos da Cavalo Doido.

E as músicas se sucediam , Mendigos canção social, Coisas de Estrada (visões),
O.N.V. (canção-lamento/ tributo ao velho Pai ) Tutankamon...,  imagina dentro do Hospício São Pedro, evocando as pedras pré-históricas, dos túmulos dos faraós.

Palmas ...muitas palmas , rompiam daquelas mãos com vigor saudável.
A intuição era visível como uma noite de várias  estrelas cadentes, tive a impressão que tudo se fortificou, tanto a saúde mental , a espiritual , pelo menos naquela noite
de verão, em que “só a Deus pertence “ !

No final a Banda terminou a apresentação com a canção “Luzes da Ribalta”, que definiu
aquele momento ,  >  “ O que vive morrerá...o que morre viverá !

Terminou ..., entre -  abraços ,despedidas , emoções , dentro de um campo de energía  dinâmica , que no futuro  certamente,  lances como este, serão  instrumentos  muito eficaz  da medicina , principalmente em doenças mentais .

Fomos caminhando de volta pra casa..., pensei em outros grandes lances que tive a oportunidade de ver...  a Banda Liverpool com Carlinhos Hartlib na Reitoria, G.R. Show
Na T. V. Gaúcha ao vivo, com Gênio Reis, Hermes Aquino cantando “Macho Picho” no Teatro Presidente,
Milton Baraldo em São Léo , na Sociedade Orfheu, Júlio / Studio 2 produções quando apresentou a música do Hallai (Chuvas) , ...êle parou tudo e lascou :- Studio 2 produções
apresenta “Chuvas “ em Rodagem Máxima ...Hallaiiiiiii* Hallaiiiiiiiiii ! Marco , cantor dos Indomáveis no Club do Comércio , cantando Magical Mistery Tour dos Beatles, Som 4 ,
no Clube Sete de Setembro , cantando “ Go to get you into my life”, Banda “O Suco” do Claudio Vera Cruz no Israelita”,  O Pekos do Liverpool cantando no Clube Aliança , “My Back Pages dos Birds, Utopia no “Araújo Vianna, Glória Oliveira e Alegre no Kafka Bar,
O Foguette luz , no Leopoldina, quando da despedida de Porto Alegre.

Não sei não, Sempre fui ligado em coisas antimidia , talvez um legado vindo da família,
saber demais, sobre as coisas e sensações humanas ao vivo , movido somente pela emoção em  que todos deveriam sentir, em cada idade..., a cada estágio da vida.
Aquela noite da Banda Cavalo Doido, que tinha acabado de terminar , me levou a estas emoções, que ficaram marcadas em minha alma, e  que jamais partiram !

FIM ! *








terça-feira, 23 de agosto de 2011

Banda Cavalo Doido no Hospício São Pedro* (1)

     ...
- 2000* 
 Ano que  a  Banda Cavalo Doido  atravessou os Portais da loucura *
                                                                                  
                                                                             
...rotina...rotina...Partenon...Bento....calorão...rotina...rotina...zero hora...
bzzzzzzbzzzzzzzbzzzzzzzzbzzzzzzz...

2000 /Porto Alegre *
                                                                                                                                                               by/NecãoCast
                                                                                                    
O Verão começava a dar sua graça nas doutrinas de Porto Alegre, os dias e noites, começavam a desenterrar os arquivos do verão .

O Partenon , pela Bento , distribuía jornaizinhos do bairro com notícias limitadas .
Todos já estavam com o pé na estrada, esperando o fim de semana para ir  rumo ao Continente da praia  , para  encontrar-se , com o Nescau marítimo de nosso litoral.
Abría  a “Zero Hora” e não encontrava nada de interessante,...futebol...futebol... e + futebol !

O século 21 , já tinha chegado, meio cara dura com as fraldas sujas e a cara de bebê chorão .

Meu Deus do céu, fazer o que , comer churrasco, tomar chimarrão e engordar !

De vez em quando uma canção dos Beatles ao violão, pra viajar na barca do passado, e lamentar  a falta de decisão dos  jornalistas que só sonhavam em trabalhar na zero hora...zero hora...zero hora...bzzzzzzbzzzzbzzzz!

De vez em quando , passava na venda do seu  Vitorino , para comprar a  1ª do violão que sempre arrebentava quando a adrenalina chegava no auge.
Este era o quadro que eu observava pela janela de meu apê, afinal era o começo da linha  do Partenon  / Caldre Fião !
Num daqueles sábados, em que a gente não sabe o que  fazer, me aparece lá em casa , meu velho amigo de tantas batalhas / Jorge Hill !

Mas Que tal?  (-)    Necão , vou fazer uma apresentação no São Pedro.

Báh velho , parabéns ...como é que tu conseguiu convencer a Dona Eva Shoper,
a colocar uns e outros valvulados naquele palco, isto é que eu chamo de milagre!

Não , Necão, vou me apresentar com a banda no Hospício São Pedro .TCHÓIN !
O que,  no Hospício São Pedro ?  Sim vou botar pra rachar , “coisa de loco” !

Bota “cosa de loco nisso “!  Vê se aparece lá...vai ser na sexta que vem ,as 9 da noite.

O Jorge foi embora com sua bike, e fiquei pensando naquilo tudo

Minha mente começou a viajar, “puta merda” !
É um lance, nunca na história desse País , alguém, ou uma banda fez isso.
Eu acho que no mundo, ninguém tocou  para os loucos literalmente, em um hospício.


Nem o “Led” , nem os Stones, muito menos os Beatles, e as bandas de Porto Alegre, nem pensar , nunca ninguém teve este “peito”  !
O Jorge Hill,  vai romper uma barreira secularmente cristalizada.
Isto é jornalístico, literário, poético, social, a nudez de uma Banda,  finalmente chega à Porto Alegre.

Todas as teorias evolucionistas , deterministas , cairam por terra ; demais!
Nem a escrita de “La Guerra Del Fin Del Mundo”, do Sarmiento , vai poder
se comparar a este ato do  Jorge Hill  !
Toda a melancolia e os mistérios de Edgar Alan Poe , não vai ser considerado
mais comtemporâneo do que este lance genial :  A banda Cavalo Doido toca No Hospício São Pedro .
Isto é mais que um "flasbak " dos Miseráveis do Vitor Hugo,é mais Cult que o Aldous  Huxley no auge da fama, a contracultura dos anos 60 “michou” , ficou vermelha de vergonha !

E o Admirável Mundo Novo que esmagava a individualidade, é história pra boi dormir, "fullgás" e inacabada !
Cavalo Doido no Hospício São Pedro é mais combatente que Bento Gonçalves.
Que coisa o “velho sonho americano “ não tem nada disso, o velho Eldorado virou um pedaço de terra seca, frente a esta legítima “saga” da Cavalo Doido.

Steinbeck, jamais visitou um hospício naquele viagem memorável junto de seu
Cahorro .


As adaptações de Hollywwod se transformaram em  ilusão frente a  Cavalo Doido  no Hospício São Pedro .

Penso com a cabeça  do Senhor Presidente , logo existo !  O Jorge não é marionete , meu Deus , isto sim é periférico, me lembra doença de pulmão,
água poluída, tosse seca , lágrimas nos olhos, crianças de pé no chão, bêbados pedindo perdão !

As letras dos “Blues”, totalmente equivocadas, perante a realidade brutal de uma banda tocando no hospício.
Servidão Humana, o Fio da Navalha, a Geração Perdida, tudo coisa de boutique, rótulos... tudo rótulos... !
Gertrud Stein, que deixou a luz da sala acessa, antes de ir pra guerra , virou fichinha perto da Cavalo Doido ensandecida a contradizer os fatos , loucos somos nós !
Tudo que  pretensamente tínhamos lido e comprado na “Feira do Livro”, nos levou a órfãos literários sem” status quo "da esquerda, abandonados sem o apoio paterno daquela feira de best-sellers, humilhados por edições literárias com papel couchê  cheias de ilusões ,sem realidade alguma.
Passei a semana toda questionando todas as apresentações da música local e seus movimentos sem função social e sem Deus ,durante toda história de nossos sonhos pelas ruas de "Porto Alegre é Demais !" As atividades anárquicas do amor, a primeira pulsão vida e morte, a qualidade imaginativa frente a realidade horripilante, as máscaras sociais, o vácuo da fantasia, a superficialidade dos críticos, a vivência da mentira, e aquelas histórias do “Nunca Más! ...isto ou aquilo...!

Todas as Dinastias do Rock gaúcho ficaram limitados , toda constituição cultural  do Estado, mostrou o lado delapidado da mente do presente  e do passado.
Imagina, no Hospício sem uma regra de etiqueta homogênea sem aquela civilização protegida por jornais e revistas, sem a “panela” pra passar a mão por cima, apenas raça e guitarras compradas a prestação nos saldos das lojas de música de Porto Alegre .
...e a vida continuava ...continuava ... naqueles dias de zero hora...bzzzzzzbbzzzzzzzzbbbbzzzzzzzbzzzzzzzzzzzzzz !

A semana correu entre rios e dragões, algumas casas começaram a ser pintadas no velho Partenon ,  o mofo do inverno tinha deixado as paredes “ cor de burro quando foge “  , bem ao estilo periférico do bairro .

Luiz Wagner , o guitarreiro já estava de volta para fazer um som , e sempre falava do Partenon dos anos de sua juventuda quando tocava nos Brazas.
Tudo dentro dos” livros sagrados”, de nossa mania de não ser comercial.

A sexta feira finalmente chegou , ela sería absolutamente única, temporalmente à partir de agora, registrada nos arquivos de nossa contra cultura urbana.

Jorge Hill , Flávio” Big Dog” Assis , Hubert Monteiro, Sérgio Gomes ( e um guitarrista que não lembro o nome,( que tocou naquele noite e nunca mais apareceu na cena gaúcha, tipo aquela história do Pekos (Liverpool Song ) que desapareceu e até hoje é procurado pela imprensa gaúcha que não viram êle tocar e , andam atrás
dessa lenda , mas não conseguem editar nada . por que perderam o trem da história.) A Banda Cavalo Doido estava a poucos passos desse feito que deixou tatuado nas paredes do Hospício o dia que A BANDA > CAVALO DOIDO TOCOU  NO HOSPÍCIO SÃO PEDRO , e que ninguém prestigiou  ! Só eu, Iara Negra , Dudu Vargas e os pacientes do Hospício  São Pedro . . Aguardem !

...continua..., imperdível , ...a parte Gótica da história !










terça-feira, 16 de agosto de 2011

*Feedback (10 ) - Hallai*Hallai na Cena*


                            O Rio dos Sinos, Cell, Hallai*Hallai , noites inesquecíveis.
                                                         Década 80*


                     -  Cell, a garota de São Léo -
                                                                                                                        by/necão

Naquela época a gente não trabalhava muito defensivamente, mas não  comia “carniça”,  embora levava “balão” de muita gente que se  aproximava de nós, que na verdade  emergiam de todas aquelas energias que rolavam nos bastidores de nossos  ensaios na “Casa Mal Assombrada”.
As reuniões na casa da” Montanha Azul”, continuavam a mil,  fiquei muito amigo da família toda, e dos amigos da mágica Cell.

Aquela história  de” separar para reunir” , deixou todos vigilantes quando a Cell começou a nos falar daquelas energias que na verdade eram provenientes de pássaros e de animais,   na maioria das vezes de seres humanos , que através de encontros como aquele , assumiam os pecados de cada região do planeta , para que as pessoas daquele perímetro   urbano , pudessem ser redimidas .

Tudo sempre começava com aquele chá extraído da “Pedra Filosofal”, que deixava todos remontados para uma nova realidade, não sei até hoje se era para uma época anterior a que estávamos vivendo, ou para um tempo que começava a se revelar, como a primeira lagoa feita por alguma divindade da chuva.

Todas as cruzes, em alta relevo na parede, dançavam , depois de 5 minutos com o chá em nossas olhos submerso, dentro daquelas energias misturadas, que se transformavam em outra freqüência.
O final das reuniões era estranho e místico, numa das vezes a Cell, nos falou da Sombra.
Ela começou assim : - É a Sombra que detém a chave, a Sombra também detém os segredos da mudança. A Sombra também detém os tesouros que lhes permitem ser não só uma pessoa que sabe admitir, como também ser uma pessoa cujo instinto seja admitir.

Disse Cell :- Vocês podem também a vir conhecer a imensidão e a intensidade de sua Sombra, e começar a subordinar, a dirigir e a usar essa  Sombra para criar uma realidade mais mágica do que a anterior.
Quando todos fizeram as pazes com a sua própria Sombra, muda a vida, muda a realidade , e pode ser preenchida até o transbordamento, por toda sorte de magia, toda sorte de milagres.

Mas afinal, que “raio”de Sombra é esta , que nos acompanha ?

Como num passe de mágica , me lembro que era sexta-feira , e estava frio, ela respondeu sem ninguém perguntar.

A Sombra é constituída de tudo aquilo que você negou. Que você desconsiderou, aquilo que você se defende, todos os aspectos que você finge não existir. A Sombra é tudo aquilo contra o que você aprendeu a resistir ou que se recusa a aceitar.

Depois , aquele indefectível café na cozinha ,encerrava aquela atribulada “evolução” momentânea, que nos dava a possibilidade de usar-mos os 10% de nossa cabeça animal.
“Seu” Cury , pai da Cell, era radioamador, tinha uma sala repleta de ligações, rádios.gravadores, microfones uma parafernália de dar gosto.

Além de tudo , aquele mistério da Marinha Mercante , que deixava êle  como dono absoluto do mistério além mar.

Na  última “fagulha da noite” , ele aproveitava para tomar o café , junto de todos e mandava suas histórias empolgantes.
Engraçado que ele curtia toda história de Napoleão, que chamava de espírito realista , o primeiro grande homem
 do mundo, que começou a construir o primeiro edifício social do planeta Terra.
Tudo aquilo era um turbilhão que acontecia nas noites do Vale.

Eu me sentia um Pelicossauro , o primeiro a andar sobre aquelas terras firmes, que escondiam segredos na calada da noite de São Léo.
A data da apresentação do Hallai em São Sebastião já estava marcada,
Os ensaios à partir disso era pra valer...gravando...gravando...!

                                                              Continua...