quarta-feira, 25 de setembro de 2013

MISSIÊ ANELE*




MISSIÊ ANELE NO PLANETA  DA CONTINENTAL*



Missiê Anele , grande camarada , responsável por todas as gravações, 

mixagens e montagens da “cartucheira” do som local dos anos 70.


Anele, suave , bravo , convencional, avançado, preocupado, amigo de todos.


Me lembro que naquela época do Missiê , eu já tinha mudado de endereço 

sai de cima do Corujão e fui morar na Pça. Conde de Porto Alegre do lado 

do “Água na Bôca.



. Dois extremos, do “basfon” do Corujão para a totalidade social do “Água

na Bôca”.


Uma quadra apenas , mas com uma mudança radical; as coisas estavam a melhorar.


Os morcegos continuavam a voar, todos oleosos com ossos secos,


 de manhã aqueles ratos com azas tremiam parecia que estava em pleno

 zoom do “bad tripper”.


A morcegada do centro com aqueles olhos incandescentes em alta 

velocidade era um terror.


O “Água na Bôca” a pleno ali na praça,


 até o Juracy Magalhães frequentou a casa , 


Jean Mazon pintou também ali,


 a mulherada a mil na noite do Aguinaga,



 muitas Amarais,


 Paulo Autran,


 Mária da Glória,


 Alda Campello,


 algumas Capanemas naquelas noites no jardim de inverno do Água.


A gente chegava na Continental as 6 horas da tarde para gravar –


 Missiê Anele já estava esperando,


 afinal tinha estado todo dia na labuta,


 então não tinha saído do estúdio,


 com o rosto cansado com aparência do Ernest Borgnine,
 
Ernest Borgnine* ( Anele)
 ( ator americano fez o papel de um sargento sádico no filme  famoso


 “A Um passo da Eternidade )


 ele já dava as ordem entrem no estúdio e afinem os violões já vamos

 começar,...


mas aí Missiê pegava o indefectível telefone cinza da Contí e começava

com suas ligações –


 a máquina Ampex já estava interligada,

-Máquina Anpex 2 canais da Contí-


 era um armário que ficava do lado direito da mesa de gravação.


Missiê falava baixinho com aquele mundo misterioso,


 agente pensava mil coisas - vendo o Anele naquele estado de felicidade 

total .

Telefone Cinza da Conti -


Estagiárias da Puc, será ?


Lôra ou jambo hú...hú...hú ?


Hermes Aquino? (Anele era super amigo do Hermes )


Alguma gata do horário comercial da Conti ?


De vez em quando Missiê chegava a se abaixar de tão bom que estava o “papo”.


Anele, já afinamos tudo , já passamos a música várias vezes, como é que é ?


Bixo , calma lá, já estou finalizando , “guenta aí !


Das 6 da tarde as 8 da noite, Missiê Anele pelo telefone,

fazia


 agenda de toda semana ,



 depois durante o resto dos dias só dava manutenção as fãs.


Missiê,


 participou de todo movimento da era da Continental ,


 tanto na parte produção musical ,


 como na parte de jornalismo ,


 comerciais e das idéias nas montagens de trilhas e chamadas


 que foram sucesso em toda grande fase da Contí.


Missiê era uma espécie de faz tudo,


 sempre de bem com todos ,


 e funcionário dedicado ,


 responsável direto por todos aqueles momentos chapantes 


da Continental.

Missiê Anele deu vida ao nosso som*



MISSIÊ ANELE,


 craque nas gravações da máquina Ampex ,(2 canais)


tirava um som dos violões que ninguém conseguiu tirar ,


 nem o Studio Mosch conseguiu aquela qualidade que o Missiê 


magistralmente conseguiu.





 by*nec@o




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

BETO RONCAFERRO*



BETO RONCAFERRO

 SOLITÁRIO ROCKMAN*



Aqueles tempos que eu morava em cima do Bar Corujão (anos 70)

 - na Salgado, curtia a vida do centro da cidade.


Morei em 3 endereços e apreendi viver dentro do original de Porto Alegre.


O cursinho IPV do prof. Clóvis,

 o filé à parmegiana do Matheus,

 a biblioteca da rua Riachuelo,

os cinemas do centro,

 o Theatro São Pedro ,

 o Margs e a Casa de Cultura Mário Quintana que estava apenas 

iniciando - despejando o Hotel Majestic por falta de pagamento.


...por estas calçadas da Rua da Praia - Beto passava com seus discos ...


Não posso deixar de mencionar o cachorro quente com duas 

salsichas queimadinhas nas pontas

 que a gente curtia na

 Pça. Ruy Barbosa ,

 tendo ao lado as meninas que ficavam na “Volunta” encostadas 

nas paredes das Ferramentas Gerais a espera de programa.


Dentro desta base social ,

 a noite escura do centro  nos emprestava seus poderes ao som

 da rádio Continental.



Dentro deste arcabouço,

 exatamente a meia-noite uma voz rouca surgia por entre os 

Morcegos do Margs,

 da Biblioteca Pública,

 da Prefeitura,

 do Edifíco dos Correios,

 da Catedral e do São Pedro...

...pela minha janela fotografava os morcegos do centro de Porto Alegre...


Beto Ronkaferro emergia das profundezas de seu próprio destino e 

detonava pelo microfone Newmann as mais loucas trombetas do 

rock pesado dos anos 70 que naquele instante era o 

irremediavelmente novo.


Toda eletricidade do AC/DC ,


 as bruxos e feiticeiros do BLACK SABBAT ,



os instrumentos de tortura do IRON MADEN,


 o chumbo grosso do LED, 


ao lado do DEEP PURPLE ,


 que junto com ALICE COOPER que se comunicava com espíritos - 

pela apresentação de Beto Roncaferro transformavam -

 Porto Alegre

 no centro mundial da mandala do rock pesado.



A noite, depois da 1 hora da matina o clima ficava com aquela 

energia que Beto deixava no ar.


Ondas etéreas  ,

 uma luxúria falante

 “Eu sou Deus”,

 Porto Alegre ficava enfumaçado com aquele som do crânio de 

Beto Roncaferro.



Beto sempre me pareceu uma pessoa com intermináveis variações

 através de si mesmo ,

 um sacerdote do rock que deixou marcado nas paredes da 

Continental sua passagem pelo rádio de Porto Alegre.


BETO RONCAFERRO , 

um nome que deve ser cultuado pela memória do rock da cidade ,

 que nos deu a oportunidade de conhecer na fonte o rock do mundo

 dos anos 70 que se eternizou *

Registre-se BETO RONCAFERRO nos deu régua e compasso do rock pesado*




                                                

 obs: as bandas (discografia) apresentada no programa do Beto
foram infinitas ,citei só o que minha memória registrou.
 

                                          by*nec@o