segunda-feira, 14 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI* > LENDA URBANA ( 9 )


*A BUSCA DAS UTOPIAS EM TERRAS DE SÃO PAULO *
  
HALLAI*HALLAI* > LENDA URBANA ( 9 )

sempre depois dos ensaios do Hallai, eu e Paulinho Velho Tchêrife,
ficávamos a divagar sobre tudo ou quase tudo, pois os guris tinham compromissos com as namoradas, e com os olhos cheios de lágrimas iam embora.

No meu modo de ver , eles  tiveram  uma perda irrecuperável que foi a ausência na participação da  construção do Hallai.

O  nosso assunto predileto , mesmo depois em São Paulo, era sobre a Arte  versus as Forças reacionárias da província.

Como você vai avançar num processo de evolução da tua própria utopia na cidade de Porto Alegre .

Se tudo depende das condições políticas,  que na verdade nunca te dão margem nos aspectos financeiros ..., então tudo fica nas mãos das pessoas que são uma coisa, mas trabalham em outra, ninguém assume
seu verdadeiro papel .

Aí acontece o seguinte :- Você fica naquela de utopista  de” Panela
Arrumada”, dependente do “poderzinho” estabelecido.

Com tudo isso permanece o conservadorismo que propõe uma filiação
de idéias  sem nenhuma relação com o pensamento  evolutivo da arte.

Tudo se repete , vira um círculo vicioso , e não uma hélice .

Aparecem aqueles fundos para a cultura, e você fica obrigado a participar  para ganhar algum, tocando todos os instrumentos para usufruir sozinho de todo provento estipulado pelos seus pares.

Com tudo isso o mercado não se desenvolve, e nossas utopias vão para o centro do país onde não são abafadas pelo” bolo cultural” , fundos de arte, que só alguns
usufruem.

> by*Necão e Paulinho Velho Tchêrife, viveram toda a construção
pós ensaios do Hallai*Hallai <

O pessoal da Banda estava  em alta vibração, no primeiro contato nossas azas não tinham derretido, pelo contrário , sentimos que nosso vôo estava para acontecer, foi tudo muito direto e profissional.  Nossa primeira investida tinha dado certo.

O engraçado disso tudo é que o presente das coisas passadas estavam ali do nosso lado.

Paulinho Velho Tchêrife,disse: "Suponhamos que isso tudo seja verdade,
então a caixa preta existe mesmo, e vamos achá-la por esse caminho" .

Mr. Robson, comentou (sempre com aquela voz interior):-Deus atrai somente os que estão dispostos !

O assunto ficou sério na  Paulista...,Jorge Hill não se conteve,e lascou :- Pela última encíclica inédita de Mr. Lee,é aki o som de Lee!

Tudo voltou ao normal , e a parceria voltou  ao grupo, no cafezinho da  galeria  do Conjunto Nacional.


Onde fica a Igreja de Santa Cecília, perguntei na banca...,,
...é so seguir pro começo da Paulista, atravessar a Rebouças e pegar a primeira a direita ,
que é a avenida Angélica , depois é só seguir em frente , que  vocês vão encontrar a  Pça. Marechal  Deodoro, peguem a direita que  é a Rua das Palmeira e vocês vão  estar no caminho do  largo da  Igreja de Santa Cecília.

O  caminho era longo, lá fomos nós , em busca de “nossa Viagem a Ixtlan !

Pela primeira vez a banda estava caminhando junto para o principal objetivo de todos nós: _ *Hallai*Hallai*


"da força da grana que ergue e destrói coisas belas /
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas /
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços /
tuas oficinas de florestas , teus deuses da chuva /
Panaméricas de áfricas utópicas túmulo  /
do samba mais possível novo quilombo de zumbi /
e os novos baianos passeiam na tua garoa /
e novos baianos  te podem curtir numa boa .
                                 (caetano)


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pesquisa/montagem/memória/textos
  continua...









sexta-feira, 11 de março de 2011

>HALLAI*HALLAI> LENDA URBANA ( 8 )


      *Ed. Conjunto Nacional na Paulista, onde o Hallai*Hallai fez
o primeiro contato profissional visível *


*HALLAI*HALLAI*...A LENDA !
by*Nec@o

“E foste um difícil começo afasta o que não conheço /
E quem vem de outro sonho feliz de cidade /
Aprende depressa a chamar te de realidade/
PORQUE ÉS O AVESSO DO AVESSO DO AVESSO DO
AVESSO”!     (Caetano)


Já era segunda feira, o barulho intenso da cidade acorda todo nós, naquela fábrica de sonhos.

O pessoal estava bem, ainda lembrando de toda aquelas coxas enterradas na lama
da Rua Aurora do Theatro Rívole.

Resistimos camaradas, resistimos porque nós músicos de Porto Alegre não temos direitos somente deveres a cumprir !

Não muito admiráveis anos 80, mas era a oportunidade de queimar nossos últimos cartuchos, acendemos nossas tochas, pegamos o”Bus” e fomos para a ilusão maior de nossas vidas !

Qual a diferença entre São Paulo e o resto do Brasil ?  Pensando , pensando pela janela do “buzão”.

A rapaziada estava super unida, até esquecendo das princezas que ficaram sob os domínios da ética e guardadas pelo brazões do estado.

Jorge Hill , entusiasta de carteirinha , sempre de bom astral, Mr, Robson sempre “profi”,
sem medo de cair na linha do fogo do palco.

Paulinho Velho Tchêrife , e sua caixa preta invulnerável,  agora sua preocupação era outra ; abrir a caixa preta do passado !

Por que não viemos nos anos “60” p’ra esta cidade ?

A energia de Sampa , esta era a resposta para tantas  indagações sobre as diferenças desta cidade para com as outras.

Motoboy era motoboy, músico era músico, engenheiro era engenherio,publicitário era publicitário, cineasta era cineasta, bancário era bancário, gente da noite era gente da noite, radialista era radialista , jornalista era jornalista, putas de terceira mão eram  putas de terceira mão. Dono de bar era dono de bar.

Tudo ao contrário de Porto Alegre, poeta tem que ser metalúrgico,músico tem que ser dono de bar, balconista tem que ser motoboy, dançarina tem que ser balconista, secretária tem que ser cabelereira, professor tem que ser agente de saúde, político tem que ser fazendeiro,
Putas de terceira mão tem que que ser estudante. Intelectual tem que ser comentarista de futebol. E escritor tem que ser funcionário público.

Tudo isso  produziu uma total inversão de valores , e quem mais sofre com tudo isso são os meios  culturais que sempre estão em mãos conservadoras.

Entramos na Paulista, sinto as  imagens solitárias do heroísmo de causas encarnadas.
Os baianos é que são destinados , eles vem pra Sampa e não voltam nunca mais.

Que diga Dorival Cayme, que praticamente foi um cidadão carioca!

Estas eram as diferenças que eu comecei a descobrir, grandezas maiores e seus significados muito mais sociais e solidários.

Conjunto Nacional, entramos e sentimos uma onda alpha de pura energia !

Avancini este era o nome Avancini, irmão de Walter Avancini que era grande diretor da Rede Globo.

O pessoal não tava nem aí, todos com uma segurança de um velho tigre, todos rindo, olhando pra tudo que era novidade , e também para o que não era novidade.., tudo festa,
tal era a confiança na obra do HallaiHalllai , que Porto Alegre conheceu  apenas 20%  da banda.

Entramos no elevador, apertamos no botão 12 e aquela máquina subiu rumo a “Guerra nas Estrelas!

A secretária nos anunciou para o empresário de espetáculos Avancini, e o mesmo
nos recebeu com aquelas parcimônias todas de um bom “vivant”.

Avancini, ouviu atentamente nossos argumentos,todos falaram descontraidamente,
ele ouviu nossa fitinha K7 e falou .

-: A gravadora que eu posso indicar para vocês –é a 3M , foi assim na lata.

O que eu ouvi já me informou;  grupo vocal com identidade e saúde mental!
Isto já me basta  pra mostrar vocês para o Produtor Michael.

Ele nos deu um cartãozinho de visitas , escreveu atrás um recado para o Michael e
nos entregou .

Ainda nos  disse, é  no bairro Santa Cecília , perto da Igreja que é a Padroeira dos Músicos !

Agradecemos a atenção do Avancini e saímos novamente para a Av. Paulista.

Quando tocamos o pé no asfalto da Paulista , uma voz  uníssona rompeu aquela
Espectativa.
Gritamos alto :

É AKI XARÁ O SOM DE OURO DAS VIOLAS DO HALLAI*HALLAI

Continua ....!


*A viola branca participou do 2º Concerto "Vivendo a Vida de Lee*
realizado no Auditótio Araújo Vianna.(1975*)


*Marco & by Necão, esta é a outra viola que participou
do "Vivendo a Vida de Lee", tanto nas gravações das
músicas no "Studio 2", quando das apresentações nos "palcos 
da vida"  do Movimento * 





quinta-feira, 10 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI* > LENDA URBANA > ( 07 )

*Chegamos no sudeste para descobrirmos a Califórnia*

*hallai*hallai*...A Lenda !
                                           by*necão
Os guris , Jorge Hill e Mr. Robson saíram para dar uma volta ; Paulinho Velho Tchêrife ficou curtindo seu indefectível charuto cubano Lavoisier, o único que
passava de mão em mão..., nem na ilha de Cuba o charuto tinha esta celebra-
ção toda .

Falei:- Sabe que dei uma volta por aí , e dei um mergulho no passado, lá nos verdes anos, e me lembrei daquela fase do Glênio Reis , lembra?

Sei...sei...,foi com o Som Mágico eu, tu e o Sidão , demais...véio !

Mas depois , o grande barato, foi quando encontramos o Glênio no 2º Concerto
do Vivendo a Vida de Lee no Araújo Vianna.

Me lembro, disse Paulinho, quando a gente estava na Coxia para entrar , somente esperando a voz do Julio anunciar , encontramos o Glênio já de
cabelo branco, ele olhou pra nós com aquele mesmo semblante dos anos 60,
a gente se aproximou  e dissemos pro Glênio, lembra de nós? O Glênio, olhou...,
olhou..., vocês não me são estranhos? Da onde ? Glênio, lembra do “Som Mágico”
GR SHOW,  teu escritório no centro, tu e o Salin...um abraço emocionante saltou de todos nós e foi aquilo..., entramos no grande palco do Araújo com a emoção a flor da pele.... e o Júlio... “ é aki xará o Som de Lee” , com as violas de ouro do Hallai Hallai, foi aquilo !

Cara, foi demais..., nós três ali com a mesma emoção de sempre , o Glênio o
pioneiro da construção musical,  do som local de Porto Alegre, e o Júlio o novo
arauto do som local !

Jorge Hill e Mr. Robson, chegaram contando tudo, mulherio a mil, Sampa é demais, é aki que vamos ficar pra sempre. Nada igual a esta terra, me sinto bem, disse Mr. Robson, Jorge Hill estava com um sorriso largo e disse : América para os americanos , São Paulo para os gaúchos !

Disse para a gurizada:- Vou levar vocês para o “Basfon”, vamos descontrair um pouco, afinal segunda temos o primeiro contato e temos que relaxar !

Mosqueteiros sigam-me ...!

Lá foi o Hallai Hallai para a rua Aurora , Teatro Rívoli como ponto final !

Era 4 horas da tarde, em cartaz a grande peça teatral  ‘Viúva Jovem e Fresca !

Pagamos  com moedas do cruzado novo, e entramos naquela baixa Hungria !

Meu Deus !  O público parecia que estava sem comer ninguém a vários anos!

Todos sedentos , tava todo mundo ali ,a fauna  a flora ..., era uma arena de Roma onde  os católicos eram comidos pelos leões.

As mulheres  da peça estavam com medo de entrar em cena, tal a balburdia
de assobios e a algazarra total ..tá na hora...tá na hora ...ta na hora...!

Caras, a zôrra ficou num clima..., que os artistas entraram na marra em cena .

A gente nunca se divertiu tanto, Calígula era história pra carochinha perto daquilo.


Saímos do  Teatro morrendo de tanto rir e o Jorge Hill imitava os artistas da peça com sei jeito engraçado, com caras e bocas !

Foi demais...!

Perdemos a inocência nas terras incríveis da ruidosa capital de São Paulo .

Segunda feira estava por vir, todos nós estávamos preparados para a grande batalha de “Little Big Horn”, com as gravadoras !.
*Mapa do1º Forte Apache que o Hallai*Hallai
estabeleceu suas bases*
                                          continua...

quarta-feira, 9 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI* > LENDA URBANA ( 6 ) *


 "Nem serpente nem maça proibida...Hallai Hallai *

                                        hallai*hallai... a lenda...!
                                                                     by Nec@o

 
Acordei cedo, era sábado em Sampa, o pessoal estava dormindo, saí...!

Cruzei a São João com Ipiranga, e fui até a Rua 7 de Abril para telefonar pra casa, naquele tempo não existia celular e muito menos internet. (década 80 )

Na volta dei uma passada na Pça. da República para ver aquela feira que se estendia desde  o Teatro Caetano de Campos até o outro lado da República.

Sentei um pouco na praça pra curtir aquelas  figuras empolgantes que transitavam pra lá e pra cá.

Fiquei  pensando, finalmente estou aqui..., não tinha idéia se tudo aquilo era para uma transformação total, ou alguma coisa circunstancial como tudo que tinha acontecido com a senhora música na minha vida.

Lembrei do tempo da primeira digressão quando estávamos com o pé direito sendo convidado pelo esquerdo pra andar pra frente.

GR.SHOW, programa  de Glênio Reis na T.V. Gaúcha , sucesso no vídeo da TV.
(Década de 60)

Preparamos repertório autoral como sempre, marcamos contato com Glênio em seu escritório que era na Av. Borges , 308  > Ed. Fronteira, e fomos ensaiar a noite que antecedeu aquela visita memorável nos escritórios do Glênio e do Salin.

O Glênio Reis era uma espécie de Silvio Santos  dos Pampas , tal sua figura carismática
famosa dentro do rádio e da Televisão do Estado.

Paulinho , que ainda não era “Velho Tchêrife”, Sidão e eu , formávamos um trio que tinha o nome de Som Mágico ; viola e vocais, já envocados!

Chegamos lá pelas 10 horas da manhã , entramos na sala do homem que já estava lá,
falamos aquelas coisas de praxe pro Glênio, que nos recebeu com a maior cordialidade e humildade possível, e com todo aquela ambiente a favor, pegamos as violas e mandamos as nossas músicas com vocais e violões já com harmonias imutáveis e vocais dissonantes.

O Glênio olhou pro Salin e disse : Eles estão prontos pra gravar !

Na mesma semana fomos nos apresentar no GR SHOW, programa do Glênio que estava com altos índices de audiência e realmente era muito bom , apresentava  o som local de bandas que tocavam em reuniões dançantes nos clubes da cidade e isto era a grande “onda” daqueles tempos..., era o máximo!

Duas semanas depois, Glênio nos convidou para abrir o Show do “Liverpool” no Navegantes  São João , esta banda estava na maior fase do “Por favor sucesso”,
E também já estava sendo considerado melhor que os Mutantes, numa fase tropicalista total , executando aquelas canções que se tornaram ícones do movimento
Tropicalista no Brasil.

Aquela noite continua na minha mente, o Clube estava completamente lotado, era um dos locais considerados “grande palco de bandas da época”, Indomáveis, Coyners, Dazzels,Bruxos, Som 4, que também se apresentavam no GRSHOW .

Naquela semana, nos armamos, com baixo acústico, viola acústica , guitarra Snake ., que recém tinha sido lançada no “Marock”, loja “point” de instrumentos musicais de Porto Alegre.

Contratamos um” batera” , muito bom , ensaiamos nossas músicas autorais que ficou
beleza , e fomos pro Navegantes São João a mando do Glênio Reis,  abrir a noite que era do Liverpool.

Cantamos Bird’S e nossas músicas pra esnobar um pouquinho com aquele vocal
totalmente diferente, onde o vocal grave fazia a diferença , com aquela voz
 solo cantando no mais agudo possível.

Fomos elogiados pelo Glênio que tentava  nos empresariar a  qualquer custo.

Depois o Liverpool numa grande noite fez todas aquelas músicas do Lp’ “Por Favor Sucesso”, que estavam lançando e também músicas  dos Mutantes que estavam revolucionando a música brasileira naqueles tempos.

Me lembro que depois  fizemos uma banda de baile, nosso ledo engano, que terminou com a gente e acabou com tudo de bom ! Nosso negócio não era tocar baile , mas este era o único caminho daqueles tempos das famosas reuniões dançantes.

O brado heróico do progresso de São Paulo me faz acordar, retorno ao Hotel Caserna
e reencontro os guris  que já estavam prontos para sair pelas alamedas de Sampa.

...”e novos baianos te podem curtir numa boa “....!
                                                       (Caetano)

Continua...
 
 
Jorge Hill>by*Necão>Mr.Robson>Paulinho
Velho Tchêrife> Hallai*Hallai

terça-feira, 8 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI*- LENDA URBANA ( 5 ) - by nec@o*


"A força dramática do *HALLAI*HALLAI* em Sampa para tocar suas trombetas*



HALLAI*HALLAI ...A LENDA !  

 
O navio chegou em Sampa as 6 horas da tarde, hora da Ave Maria , de Jerônimo o Herói do Sertão, da novela das seis .

 
A Terra Prometida da música , a nossa nova Gália ,  a Arca do  Hallai não estava mais no meio das águas, nem no cume da montanha.

 
Nós todos estávamos com a cara de uma “Roma subterrânea”, catacumbas ambulantes , depois daquela viajem no lombo do navio que aportou nas águas turvas
dos Portos do Tietê .

 
O frio do quase noite ,  fez Jorge Hill convidar a  todos para o primeiro cafezinho paulista, antes êle telefonou pro sul para saber como estava sua família. Paulinho
Velho Tchêrife puxou seu velho Charuto gasto ,  já a meia” boca blues”,  deu aquela baforada com todo fervor maduro de um velho lobo do mar em terra firme.

 
Mr. Robson não telefonou , procurou dentro daquele imenso” Portugal”,  alguma coisa pra comer, estava como sempre calmo e tranqüilo.

 
Cumpri o mesmo ritual do Sr. Hill , e avisei  minha querida Negra que estava celebrando com os guris ao sabor de um “pretinho”, a nossa chegada em São Paulo
dentro dos Portos do Tietê.

 
Era para nós o suficiente  naquele cair da noite , a viajem tinha nos abençoado com todos os “papos” que tinham rolado sem tradições e preocupações que não fossem nossos questionamentos musicais ,e tudo que envolvia as línguas de fogo de nossa aldeia.

 
Depois de elogiarmos o cafezinho, que de fato estava “loco de especial”, um sotaque
norte /nordeste respondeu: - É verdade !

 
A seguir , Mr. Robson depois do belo misto quente , comentou que ao reclamar um pouco da falta de cor do tal misto, uma voz também do norte / nordeste respondeu
-É verdade !

 
Pensei , estamos na terra da verdade ! Tudo é verdade, mesmo a mentira .

 
Paulinho Velho Tchêrife, depois dos comentários que fizemos sobre o “é verdade” ,
afirmou que nós agora estávamos dentro da caixa preta e que sería muito mais fácil
descobrir seus arquivos  obscuros ,  mais do que todos as vezes que estivemos
pensando em  descobrir onde estaria a “tal” cx. Preta do sucesso !

 
Pegamos um taxi branco, e ordenamos ao motora: Ao centro,  pela Av. Paulista !

 
O sangue iluminou nossa caras..., todos felizes ...,nossa atenção entre “papos mil”, era observar aquelas construções e colunas imensas, santuários de todas as coisas , outras pedras ...Jorge Hill, na se conteve ..., vai rolar, sinto as pedras rolando !

 
Quando o taxi entrou na Paulista, surgiram aqueles edifícios de uma nova renascença arquitetônica, feitos com moedas de ouro. Era sexta feira  e a noite refletia o espírito histórico dos casarões dos magnatas do café , que
ainda permaneciam de pé no meio daquela selva de concreto .

 
Olhei para Jorge Hill que estava vibrante ,olhando pela janela do taxi aquele desfile de gente em direção do “The Real” ..., disse..., é isso aí... aki tem jogo!!!!

 
O taxi passou pela esquina famosa da São João com a Ipiranga, e estacionou perto da
Estação Republica, saltamos na maior alegria, e com as bagagens em punho, fomos em busca de um Hotel barato para montar  nosso QG do Hallai Hallai!

 
Quando senti aquele cheiro de” fast food” em pleno centro de São Paulo, um flashback
invadiu minha cabeça : A decisão de ir para São Paulo tinha partido de mim, os guris estavam todos ali na maior vibração e emoção, tudo estava certo, desde quando resolvi pedir pra ensaiar na Casa de Cultura Mário Quintana , que estava ainda em
total  “bagunça” , com móveis cheios de cupin espalhados em todas as  salas do antigo  casarão do Hotel Magestic para ser transformada no que é hoje.

 
A decisão de ensaiar em Porto Alegre foi acertada, junto daqueles moveis antigos do
Magestic ..., a gente sentiu dentro daquele mausoléu( estava tudo por fazer),os tempos anteriores de pessoas que passaram por alí,  permaneciam  ainda com aquela força social ativa , pelas paredes daquela Babilônia de muitos jantares,promessas , negócios,
e mágoas de corações.

 
Ali , encontramos um local estranho e com poucas luzes , duas ou três luminárias encebadas penduradas no teto, mas aquêle lugar de tantas histórias nos passou
uma energia boa, uma espécie assim de “ Livro da Mudança”, com os princípios da doutrina perfeita sobre a tolerância.

 
Voltei ao “The Real”, e já sabia aonde deveríamos ficar, já conhecia as Tabernas
da grande metrópole de São Paulo, fui gerente de duas filais paulistas em Porto Alegre,
e sempre ficava na rua Frei Caneca num apartamento de uma das empresas  perto da Paulista.

 
Fui direto com o pessoal do Hallai para as imediações da Rua Timbiras, sabía  que ali
poderíamos resistir por alguns dias o custo das estadias.

 
A rua Timbiras era o limite entre a “boca do lixo”, e da dita civilização apta para ser escravizada.

 
Uma “zôrra”, mas  a Taberna que nós ficamos era” super legal’, com café da manhã com vários sucos , torradas etc...

 
Ficamos em dois apartamentos, descarregamos nossas bagagens,  tomamos banho
e saímos para comer ;... nossas subsistências  estavam garantidas por alguns dias  em um local interessante de muitas histórias romanas, cheias de Calígulas e mulheres do interior do Brasil.

 
Mesmo dentro destes limites incertos, nós nos sentíamos príncipes, e queríamos ser Imperadores.

 
Tudo era permitido e vedado ao mesmo tempo, afinal éramos gaúchos e deveríamos amarrar de novo nossos cavalos no Obelisco Paulista .

 
Continua...