terça-feira, 8 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI*- LENDA URBANA ( 5 ) - by nec@o*


"A força dramática do *HALLAI*HALLAI* em Sampa para tocar suas trombetas*



HALLAI*HALLAI ...A LENDA !  

 
O navio chegou em Sampa as 6 horas da tarde, hora da Ave Maria , de Jerônimo o Herói do Sertão, da novela das seis .

 
A Terra Prometida da música , a nossa nova Gália ,  a Arca do  Hallai não estava mais no meio das águas, nem no cume da montanha.

 
Nós todos estávamos com a cara de uma “Roma subterrânea”, catacumbas ambulantes , depois daquela viajem no lombo do navio que aportou nas águas turvas
dos Portos do Tietê .

 
O frio do quase noite ,  fez Jorge Hill convidar a  todos para o primeiro cafezinho paulista, antes êle telefonou pro sul para saber como estava sua família. Paulinho
Velho Tchêrife puxou seu velho Charuto gasto ,  já a meia” boca blues”,  deu aquela baforada com todo fervor maduro de um velho lobo do mar em terra firme.

 
Mr. Robson não telefonou , procurou dentro daquele imenso” Portugal”,  alguma coisa pra comer, estava como sempre calmo e tranqüilo.

 
Cumpri o mesmo ritual do Sr. Hill , e avisei  minha querida Negra que estava celebrando com os guris ao sabor de um “pretinho”, a nossa chegada em São Paulo
dentro dos Portos do Tietê.

 
Era para nós o suficiente  naquele cair da noite , a viajem tinha nos abençoado com todos os “papos” que tinham rolado sem tradições e preocupações que não fossem nossos questionamentos musicais ,e tudo que envolvia as línguas de fogo de nossa aldeia.

 
Depois de elogiarmos o cafezinho, que de fato estava “loco de especial”, um sotaque
norte /nordeste respondeu: - É verdade !

 
A seguir , Mr. Robson depois do belo misto quente , comentou que ao reclamar um pouco da falta de cor do tal misto, uma voz também do norte / nordeste respondeu
-É verdade !

 
Pensei , estamos na terra da verdade ! Tudo é verdade, mesmo a mentira .

 
Paulinho Velho Tchêrife, depois dos comentários que fizemos sobre o “é verdade” ,
afirmou que nós agora estávamos dentro da caixa preta e que sería muito mais fácil
descobrir seus arquivos  obscuros ,  mais do que todos as vezes que estivemos
pensando em  descobrir onde estaria a “tal” cx. Preta do sucesso !

 
Pegamos um taxi branco, e ordenamos ao motora: Ao centro,  pela Av. Paulista !

 
O sangue iluminou nossa caras..., todos felizes ...,nossa atenção entre “papos mil”, era observar aquelas construções e colunas imensas, santuários de todas as coisas , outras pedras ...Jorge Hill, na se conteve ..., vai rolar, sinto as pedras rolando !

 
Quando o taxi entrou na Paulista, surgiram aqueles edifícios de uma nova renascença arquitetônica, feitos com moedas de ouro. Era sexta feira  e a noite refletia o espírito histórico dos casarões dos magnatas do café , que
ainda permaneciam de pé no meio daquela selva de concreto .

 
Olhei para Jorge Hill que estava vibrante ,olhando pela janela do taxi aquele desfile de gente em direção do “The Real” ..., disse..., é isso aí... aki tem jogo!!!!

 
O taxi passou pela esquina famosa da São João com a Ipiranga, e estacionou perto da
Estação Republica, saltamos na maior alegria, e com as bagagens em punho, fomos em busca de um Hotel barato para montar  nosso QG do Hallai Hallai!

 
Quando senti aquele cheiro de” fast food” em pleno centro de São Paulo, um flashback
invadiu minha cabeça : A decisão de ir para São Paulo tinha partido de mim, os guris estavam todos ali na maior vibração e emoção, tudo estava certo, desde quando resolvi pedir pra ensaiar na Casa de Cultura Mário Quintana , que estava ainda em
total  “bagunça” , com móveis cheios de cupin espalhados em todas as  salas do antigo  casarão do Hotel Magestic para ser transformada no que é hoje.

 
A decisão de ensaiar em Porto Alegre foi acertada, junto daqueles moveis antigos do
Magestic ..., a gente sentiu dentro daquele mausoléu( estava tudo por fazer),os tempos anteriores de pessoas que passaram por alí,  permaneciam  ainda com aquela força social ativa , pelas paredes daquela Babilônia de muitos jantares,promessas , negócios,
e mágoas de corações.

 
Ali , encontramos um local estranho e com poucas luzes , duas ou três luminárias encebadas penduradas no teto, mas aquêle lugar de tantas histórias nos passou
uma energia boa, uma espécie assim de “ Livro da Mudança”, com os princípios da doutrina perfeita sobre a tolerância.

 
Voltei ao “The Real”, e já sabia aonde deveríamos ficar, já conhecia as Tabernas
da grande metrópole de São Paulo, fui gerente de duas filais paulistas em Porto Alegre,
e sempre ficava na rua Frei Caneca num apartamento de uma das empresas  perto da Paulista.

 
Fui direto com o pessoal do Hallai para as imediações da Rua Timbiras, sabía  que ali
poderíamos resistir por alguns dias o custo das estadias.

 
A rua Timbiras era o limite entre a “boca do lixo”, e da dita civilização apta para ser escravizada.

 
Uma “zôrra”, mas  a Taberna que nós ficamos era” super legal’, com café da manhã com vários sucos , torradas etc...

 
Ficamos em dois apartamentos, descarregamos nossas bagagens,  tomamos banho
e saímos para comer ;... nossas subsistências  estavam garantidas por alguns dias  em um local interessante de muitas histórias romanas, cheias de Calígulas e mulheres do interior do Brasil.

 
Mesmo dentro destes limites incertos, nós nos sentíamos príncipes, e queríamos ser Imperadores.

 
Tudo era permitido e vedado ao mesmo tempo, afinal éramos gaúchos e deveríamos amarrar de novo nossos cavalos no Obelisco Paulista .

 
Continua...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





quarta-feira, 2 de março de 2011

*HALLAI*HALLAI* - LENDA URBANA ( 04)

Mr.Robson /by Necão / Jorge Hill / Paulinho Velho Tchêrife
Se a existência humana se resume no problema do Bem e do Mal, eis aí 4 rapazes do Bem !

HALLAI*HALLAI ...A  LENDA...
                                                                       by*necão

 
Não consegui dormir naquela noite em que jogamos tudo ao mar, apesar de toda brincadeira, na verdade  algumas figueiras  ficaram boiando naquele oceano primevo.

Encontrei o “Velho Tchêrife” no convés, puxando um charuto cubano !
Paulinho, já tinha  tido algumas pequenas digressões nas noites dos bailes em “Sampa” , estava ali pensativo preocupado com o dia de amanhã !?!?

E agora Necão ? ...quando a gente chegar pra onde vamos...?

O “Velho Tchêrife” sempre pensou no amanhã..., a caixa preta do amanhã..., como conseguir um abridor de latas para descobrir segredos tão escondidos?

Todos os dialetos, a física , a química, a astronomia, a teologia , o árabe e o esquimó ?
- Calma “veio, uma coisa de cada vez..., vamos curtir estes momentos  que estão passando pelo casco do navio.

Jorge Hill e Mr. Robson chegaram com aquelas “caras de laranjas colhidas no pé com a taquara, lá no fundo do quintal”. Esta é a sensação que eu tive, como se eles tivessem sido arrancados de suas origens.

Em suas testas a legenda : “ Não devíamos ter atirado nossas bagagens gaúchas ao mar”.

Mas enfim , fomos tomar café , e a alegria voltou  com Jorge Hill contando “estórias”  dos irmãos  portugueses, todas elas impregnadas de Joaquins , Manuéis e padarias do além mar !

Pensamos em nossas “Rutes” que ficaram na pequenina cidade de Porto Alegre, guardadas pelas tradições de nossa terra, éramos Baltazares inspiradores de nossas musas .

Engraçado que toda literatura riograndense continuava e sustentava nossas cabeças, apesar de todo o colonialismo que habitava nossos espíritos e mentes,
antes e após o “Vivendo”.
Mr. Robson sempre com sua narrativa no mais profundo silêncio, as vezes sorria e abria o coração falando da grande aventura que estava apenas começando, mas que o sonho de nossas cabeças sempre levava mais adiante..., a gente na verdade já estava na 5ª temporada , tal era a confiança e a certeza
de que tudo era uma questão de bater na porta e entrar.

O  Contramestre anunciou : " Estamos chegando no porto de Registro, cidadelinha que pertence as terras de São Paulo".

O relógio marcava meio-dia , o tempo estava nublado e triste, e um frio de leve
soprava um vento sudeste que vinha dos bananais daquele lugar.

Descemos a terra  e sentimos que tínhamos comido o fruto proibido e que  isso tinha nos expulsado do velho Paraíso !
As exclamações eram várias: - Nunca ganhanos dinheiro com a música no sul !
Estamos sós ..., com nosso violões comprados na Mesbla , nem contrabaixo temos, nunca olhamos a música politicamente, sempre fomos frutos fáceis , eternamente otários.

Meu pensamento correu de um extremo ao outro: - Lembrei-me de vários artistas de Porto Alegre que eram badalados por jornalistas e gente do meio...,
Tipo assim :- Secretários de Cultura, Bares, Jornalistas,Políticos , Partidos Políticos, locutores de rádios, cadernos de jornais, etc..., e que na verdade era tudo insípido, enfadonho e monótono , tudo mentira para satisfazer seus verdadeiros instintos mercantilistas para usufruírem do que lhes interesassem, o  que na verdade era suas próprias carreiras na aldeia.

Me lembro que existiu um grupo em nossa cidade chamado DESENVOLVIMENTO,
Ana Mazzoti e Tijolinho , Lembram ? Todo mundo badalava , eles tocaram em todos os lugares que se possa imaginar em Porto Alegre e Interior. Todos elogiavam rasgadamente estes músicos, só que eles não ganharam dinheiro algum.
 Naquele época eu representava uma Empresa de São Paulo em Porto Alegre, e foi exatamente lá que o baterista Tijolinho foi pedir ajuda para se mudar para São Paulo..., de imediato mandei que os encarregados fossem fazer a coleta na casa de Tijolinho, e transportei seus pequenos pertences
para São Paulo. Cobramos um mínimo, absolutamente nada, só pra preencher a minuta para que os fiscais não complicassem nos postos da BR.

Lá se foram a Ana e o Tijolinho..., nunca mais ouvi falar deles, a não ser da triste notícia que a Ana não tinha resistido e tinha partido para o verdadeiro
Nirvana !

O Navio deu o sinal , parecia um cão começando a latir e  pulando em volta,
avisando aos marujos do Hallai*Hallai , que a viagem ía seguir em busca do ponto final..., da “varinha mágica” , que estaría a nos esperar para satisfazer nossso desejos mais puros, o de gravar um disco nos Portos da Cidadela de São Paulo.


Continua...


                                    

sábado, 19 de fevereiro de 2011

*HALLAI*HALLAI* ...LENDA URBANA * ( 03 )


                                  ...*hallai...hallai*...a lenda...! R*N*J*P 
                                                                  by*necão  
                            
O CABINEIRO da noite avisou que o navio já tinha passado do Porto de Camboriú, todos nós ajeitamo-nos, e aí começou a “cair as fichas”, um silêncio bateu na proa e se espalhou por toda embarcação..., a noite , o mar e a lua, triângulo perfeito para 4 marujos .

... P´ra quebrar um pouco aquele balanço do mar,, avisei de novo a todos que, quando a embarcação chegasse ao Porto das Araucárias
de Curitiba, novas armaduras gaúchas teriam que ser jogadas ao mar.
Paulinho Velho Tchêrife gostou da idéia e começou a pegar da sua maleta de bordo, alguns pertences culturais que estavam pesando por demais >.
Separou papéis da Lei de Incentivo a Cultura,

que tinha pego na Secretaria da Côrte do Estado dos Pampas,
um pedaço de xarque que tinha sido curtido no vento  enrolado num papel de alumínio.
Um pacote de erva Chimango ,algumas fitas k7 de heróis da música urbana de Porto Alegre , e também vts., do programa fantástico local, que o grupo tinha gravado nos castelos da t.v. Gaúcha.
Mr. Robson, questionou:- Tem certeza que isto não vai fazer falta quando sentires saudade dos campos verdejantes do reinado.

O Velho Tchêrife , respondeu :- Quando eu decidi abandonar a Corte, comecei a queimar meus navios, portanto o mar é o destino de tudo isso que separei.
Mr. Robson, olhou pra sua bolsa de puro couro de boi  e disse:- Vou jogar esta bolsa fora, chega de cultura de cavalo e de boi.

Foi um reboliço, todos tentaram acalmar Mr . Robson, e o jovem Hallai começou a dar risadas
gozando de nossas caras. É tudo brincadeira !

...Mas o “papo” ficou sério, todos achavam que realmente os cavalos governavam com sabedoria,... e os velhos e novos gaúchos se submetiam.

... Eu, Jorge Hill e o Velho Tchêrife concordamos que os animais eram dotados de virtudes que deveriam ser humanas e que homens
da cultura regional teriam sido reduzidos, por influências dos antigos tropeiros, a bestialidade dos macacos.
O assunto ficou “trincado”, todos perderam os vínculos  com a realidade do cotidiano e a coisa desorganizou total..., veio a sátira , o pessimismo, e o riso ficou amargo. Será que toda obra literária gaúcha foi baseada no cavalo ?
Demos um tempo ao sabor de um licor madeira,e recomeçamos de novo com “as armaduras gaúchas ao mar”!

Jorge Hill, pegou sua maleta country e despejou em cima da mesa da cabine, olhou..., olhou..., e disse:-"Na verdade pra não dizer que não falei de flores,vou me desfazer de um vídeo tape., que eu trouxe
sobre o programa Galpão Crioulo que passa todos os domingos a 6 horas da manhã e que eu na verdade nunca vi..., e quero ficar assim.., portanto, vídeo tape ao mar !"

... Diante de tantas atitudes não me restou outro caminho. Peguei uma faca de cozinha e disse:-  Vou cortar minha cabeça e atirar ao mar, não  tem outro jeito, fui criado no meio de C.T.G., e isto não tem..., não tem cura!
Foi uma “risadada” geral.

A noite já estava alta e todos desmaiaram de tanto sono.
O navio seguia seu rumo em busca de outro porto,
O Hallai hallai dormia, sonhando com a próxima atração >.

Aquela madrugada foi histórica, a banda ficou mais unida, uma única lei regia todos: amizade, prazer em estar junto, e solidariedade.

Cada pensamento atirado ao mar era real , e que se transformava numa força , a liberdade de falar besteiras como uma coisa séria, ajudou a todos a descontrair e a questionar de uma forma bem humorada os fantasmas de Porto Alegre.
Os padrões hereditários, os códigos culturais, as “tais” de crenças sociais , ficaram pequenas perto da força da banda que era UNA!

O Hallai Hallai estava vivo para enfrentar a grande aldeia do “Gran Monde”, com suas violas afinadas e autorais!
Eu falei a todos antes do sono  chegar:-  "É do zero que vamos começar em Sampa...", Paulinho Velho Tchêrife no pé do ouvido disse : " A caixa preta da música também será aberta...", Mr, Robson só olhava, sabendo que as coisas seriam difíceis..., Jorge Hill já tinha se adaptado, e era o que mais acreditava na força do vocal  e nas letras
das músicas.
O Planeta Marte lá em cima, com aquela cor vermelha, acompanhava de longe o navio,  e transportava para dentro de nós, nossas próprias batalhas.

Tudo se misturava, o sono do Hallai, os sonhos e  pesadelos, naquela madrugada rumo ao centro do país.

               ...continua ...


 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

*HALLAI*HALLAI* - "LENDA URBANA" (02)


*hallai*hallai*...A Lenda ...!
“...leva-me em viagem no teu estonteante barco mágico...
                                                      

...algumas horas antes do Lenda Urbana (01)
                                                                                                  by/nec@o

 
O Navio que nós, o “quarteto” embarcamos, não era nenhum Eugênio C, êle fazia parte da”Cia Itapemirim Penha”, navio de alta periculosidade que navegava pelas profundas águas  dos mares da 101.
 
Sorrisos, lágrimas, abraços e muitos beijos na despedida
no Cais Mauá >.

Um automóvel nos conduziu até o centro da Província de Porto Alegre , carregado de malas , violões, sonhos , medos, e de muita energia boa !

“Feliz viagem, as garotas  a capela , nos saudavam com os corações despedaçados de tanto amor.


Iara, Luiza,Eliana,Liliane, estavam todas impressionadas e tristes, e nós com a  nossa fidalga gentileza :-" Não te esqueça de mim "! Cada um dizendo pra sua garota !


O vapor chama a todos com um som de um sino>
Paulinho Velho Tchêrife > Mr. Robson >Jorge Hill & eu,
by Necão , colocamos as malas no compartimento  térreo do navio, e num último suspiro começamos a subir as escadas daquele Transatlântico .
O Navio começa a se afastar,as garotas agitam seus lenços brancos, a cidade vai ficando mais pequena do que já era, tudo começa a diminuir de tamanho, logo aparece a Igreja das Dores, a Usina do Gazômetro, (antiga Casa de Correção), o dorso formoso da península dentro daquele panorama eloqüente do Palácio do Governo que sempre negou “patrocínio”, a Catedral Metropolitana

com suas vetustas torres, a torre da Igreja do Menino Deus , o Estádio Beira Rio dando “tchau”a Banda * *Hallai*Hallai ,  no começo daquela noite de outono !

A nossa Gália ficava para trás, nossos cavalos ficaram no bom pasto da Serraria , nossos personagens invisíveis nos acompanhavam fechados dentro das nossas malas...!
Paulinho Velho Tchêrife, dentro da cabina , já totalmente acomodado , começou a falar de sua busca pela caixa preta das Pirâmides do Egito .

Mr. Robson, depois da vasta explicação do Velho Tchêrife, não deixou o papo morrer , comentou

sobre os encantamentos que a nossa Gália, não tinha “sacado” , sobre o Movimento Vivendo a Vida de Lee; ele defendeu virgens, salvou princesas e derrubou tiranos de todas aquelas aventuras que tinham terminado.
Jorge Hill, o garoto da Banda, uma espécie de “prefácio, pois nós todos já éramos o “posfácio”,
 levava na fronte uma pequena preocupação..., sua garota estava grávida e isto incendiava seus pensamentos.

...eu, uma espécie de D’artagnan,  sem o sangue azul da Corôa , sabia como ousar quando as oportunidades passavam pelas janelas da Côrte, mudei o rumo da conversa, falando
da música “Segurando o Vento”, que na verdade, levava nas entrelinhas códigos secretos e reveladores, de uma nova verdade não humana.

O porto de Sombrio já estava nos esperando, quando o gigantesco sino do navio deu o sinal .
O GRANDE NAVIO...,baixou as escadas e os rapazes desceram para esquecer um pouco o balanço do mar.
Nós, os rapazes do Hallai Hallai, aproveitamos a parada
e deixamos algumas velhas armaduras gaúchas, nas terras daquela aldeia catarinense>.

                  Continua...


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

*HALLAI*HALLAI* - * LENDA URBANA * - (01)



                                                                                                                          
                         
                                        * fOTO tEATRO TERESA rACHEL NO bIXIGA *
                                   
                                                  Hallai*Hallai- "A Lenda" !
                                                                                  by/nec@o

 
                    Era uma vez 4 rapazes que resolveram fazer um grupo vocal ; Mr. Robson , Paulinho Velho
       Tchêrife , Jorge Hill  e, eu by /Necão .

                    Nós começamos  numa cidadezinha do sul do Brasil chamada Porto dos Casais > , que mais
       tarde veio a se chamar Porto Alegre , a cidade dos gaúches >.

                    Depois de comermos muito churrasco e bebermos um líquido verde, nós embarcarcamos numa
       locomotiva municipal , para viver  uma coisa americana  chamada ,"Vivendo a Vida de Lee"
       Esta história esta contada no meu blog chamado http://hallai-hallai.blogspot.com (blog do necão), em oito depoimentos>.

       Depois de tantas aventuras , nós nos reunimos na Casa de Cultura Mário Quintana, e juntos levantamos nossos violões para o alto, e bradamos aos ares daquela capital do final da linha do Brasil :- "Pela honra e pela

nossa terra, vamos para São Paulo para satisfazer os nossos desejos mais puros e para representar esta aldeia que nos deu coragem, orgulho, loquacidade, elegância e sobretudo a descoberta fascinante de que santo de casa não  faz milagres" ! >

      Colocamos alguns violões velhos na bagagem (afinados), nos despedimos das namoradas que ficaram
abanando no cais da  Mauá e com os olhos cheios de lágrimas, lá fomos nós , 4 rapazes desbravar terras estranhas.>

     O navio ia se afastando do centro de Porto Alegre, e também deixando de lado aquela "culturinha" de

"cabelo chanel", tipo assim :- Um Plano para Remodelar a Capital / Guerra dos Farrapos / A Herança das Missões / Os Irmãos Saraiva, /Passo Fundo a Última Praça do Caudilho / A Cabeça de Gumercindo / Mulher Valente Sepulta General Maragato / Garibaldi e Anita se Amam na Guerra /Ódios e as Paixões de A Federeação / Os Desfiles da Semana Farroupilha / a Maldição das Dores /Uma  Terra de Passagem...>.

   Em nossas cabeças , éramos 4 "homenzinhos adultos", não havia mais lugar para as tragédias clássicas; a paixão pela música
que nos era jogada na cara entre a realidade e a ficção, pedia uma platéia ávida , intensa que fizesse esquecer todos aqueles problemas reais de uma cidade cheia de conspirações políticas.> .
  Nós, não teríamos mais o explendor da Côrte ,que era publicado diariamente num jornal chamado Zero Hora,
em que todos queriam trabalhar , mas que só alguns conseguiram . Nós, 4 rapazes bonitos, não teríamos mais o sensacionalismo das intrigas daquela época brilhante.>.

O Quarteto de Violões foi  navegando ao som de :- Vento Negro Gente eu sou / Quero luta guerra não /
Erguer bandeiras sem matar ... / Vento Negro é furacão...! Versos de um poeta passageiro , que subia numa caixa de maça no mercado público da cidade , num tempo de heróis de pena em punho, esgrimando pela
fama e pela dor.

                                       continua...





 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

- OS OLHOS DE AUDA - ( 7 ) - Final ...

- ORÁCULO DE SINAIS  -
                                                                                by/necão
A verdadeira arte não se revela de imediato, ela é como a vida, aos poucos vai se mostrando no dia a dia.

Os Olhos de Auda veio a mim como uma centúria que formava a cada tempo, um início e fim , de alguma coisa que estava me acontecendo ou iria me acontecer.
Tudo começou, quando moráva-mos na 388 ,a terceira casa de minha família , perto do Cine Imperial ,  no final da infância , na pré- adolescência.
Nunca soube se isto fazia parte de aspectos ocultos, telepatia, clarividência, ou fenômenos paranormais .

Já contei a primeira vez , quando em Pasos de Los Libres , me peguei diante dos olhos de Auda.
Depois , durante a vida inteira de forma ingênua ,ou por força misteriosa da natureza, os olhos estavam ali , me olhando , tanto no doce como no amargo da vida.
Não era uma coisa permanente, vinha de vez em quando,
em situações de revelação ou de precipício.
No Rio de Janeiro, em São Paulo, em Porto Alegre, no velho Paraná , na jovem Santa Catarina em lugares escuros, em terras claras, lá vinha os olhos de Auda!
No Hallai-Hallai, muitas vezes encontrei na parada do ônibus, depois dos ensaios, aqueles olhos na luz crua do luar.

Quando estava no Studio do Mosch, na Pompéia, gravando o “Mister Tambourine Man “, nas madrugadas de “Sampa” na Santa Cecília, ouvindo aquele
LP do Tom, Jobin, “O Tempo e o Vento, sentindo uma saudade  das sementes gaúchas.
Dos amigos que passaram em minha vida e se foram estrada a fora , deixando a reza só pra mim , junto dos Olhos de Auda !
Em meio a velhas verdades familiares, caminhando sempre como um apóstolo em busca dos ventos da mudança , lá estava os Olhos de Auda !

No “Vivendo a Vida de Lee”, emocionado com o Júlio, quando o velho cowboy, com aquele bigode de Dostoiewski , lançava flechas verbais aos ares de Porto Alegre :-“ É aki xará , o som de Lee ! ... Lá estava os Olhos de Auda me esperando na subida da General .
Na dôr, purgatório privado, lá estava os olhos de Auda,
em alguns acordes raros, saindo do violão, pintava aqueles
olhos misteriosos.
Em sub- empregos, para poder financiar à  música do Hallai ; com aquela escasses de  objetivos nas noites de Canoas...Lá estava os Olhos de Auda !

Nos “loops” da vida, ou na “marra” quando me sentia solitário, os Olhos de Auda estavam na espreita .

Quando todo mundo estava dormindo, os Olhos de Auda
me acordava para bombear a vida atravéz da oração !
A clarividência do passado, o “flashforword” de coisas que estavam para acontecer, sempre me deixaram ansioso,
ainda mais com aquele desafio de entender os inesquecíveis Olhos de Auda !
Sinta, esta energia neste pequeno “filminho” abaixo...,
para usufruir este ponto Alfha/ Omega do tempo , ou ´ponto de interrogação que me foi mostrado no começo de “vidro”
de minha vida ! Os Olhos de Auda !
fim !






.



                               
                      

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

* MALABARES + BEATLES = GENIAL !

Beatles motor de inspiração -
                                                                                                             by / s!dão

domingo, 16 de janeiro de 2011

- OS OLHOS DE AUDA ( 06 ) - " Five hundred Miles ! "

                             Auda Visão de Lua*

                                                                         by / necão

Chegamos ao último dia do Congresso da UNE.


Tudo bem camaradas, tudo bem assembléias, tudo bem comissões ! Era assim que todos se saudavam !


O dia estava frio, cinzento, as ruas solitárias de Uruguaiana estavam molhadas pela chuva da noite anterior.

A vaga que era pro sol, estava acupada por nuvens pesadas e de mau humor .

A ordem existente poderia ser mudada, este  foi o resultado a princípio, daquele espírito idealizado no Congresso.

Todos no final daquela utópica reunião, cantaram o velho Hino Nacional, alguns diziam ..., em vez de raios fulgidos...,”raio quente”.

A noite, o grande baile, que foi realizado no clube principal da cidade.

Todos estavam ali presentes:  os Pensadores do Mundo, os Marxistas, os Guevaristas, os Debreístas ,os Revolucionários de Boutique,

Os Castristas, os Representatntes do Futuro, os Utopistas , Socialistas, Filhinhos de Papai, Trotskistas,os Vietnamitas,

Pignataristas, Chicolatristas,Caetanistas, Nelson Rodriguistas,

...todos cantando “Soy Loco Por Ti América”!..., as 4 horas da matina sob as” luzes da Renascença” de Uruguaina !

Eu , Marco e Lico  mais as garotas de São Léo, éramos os representantes “ Emergentes Urbanos”,  de uma região castigada pelo pó da Cia. Brasileira de Cimento, que caia em toda região do Vale do Rio dos Sinos, impulsionada pelo vento...the answer, my friend, is blowing ‘ in the Wind, the answer is blowing

‘in the Wind...!

Ninguém dormiu naquele noite, arrumamos nossas mochilas no quartel do exército, despedimo-nos do sargento do dia,agradecemos a acolhida , não olhamos para trás..., e fomos a pé até a  antiga estação de trens  de Uruguaiana para a grande viagen de volta pra

casa..., “ Se você perder o trem / vai saber que eu já fui / e o apito além da serra vai ouvir “..., ao som de Peter , Paul e Mary , cantamos, acompanhados do ranger dos trilhos, aqueles caminhos do Rio Grande do Sul que construímos com bolhas de sabão de nossas cabeças adolescentes, filhos do Congresso estudantil de Uruguaiana.



Chico,Gil,Caetano etc...,

os remédios da época !

Eu não era muito fiél, curtia B. Maguire,Bob Dylan,Beatles, Birds,

 Roger Mcguinn ,Peter , Paul and Mary,Animals, Hollies ,Ray Charles, etc...,mas também não passei incólume

pela tropicália, bebi nesta fonte !


Chegamos em Pôrto Alegre certos de que tínhamos participado de uma das tantas

histórias do mundo, com o mais elevado espírito de manifestação Universal !


                                                                                  continua...